Cubanos pedem volta de Elián
Associated Press
De Havana
Estudantes uniformizados marcharam ontem ao redor da missão diplomática norte-americana em Havana ao mesmo tempo em que dezenas de milhares de trabalhadores se congregavam no bulevar do Malecón, também na capital cubana, para exigir dos Estados Unidos a volta a Cuba do menino Elián González, de seis anos.
No momento em que os estudantes, muitos deles vestindo camisetas com o retrato de Elián, iniciavam a marcha em volta do prédio da Seção de Interesses dos EUA, na avenida costeira, ouvia-se o hino de Cuba através de alto-falantes. Libertem Elián, gritavam os manifestantes. Salvaremos Elián, proclamou, por sua vez, a televisão estatal cubana, que transmitiu a manifestação ao vivo a todo o país.
O governo comunista, que organizou a marcha, calculou em 50 mil o número de pessoas presentes. Como em ocasiões anteriores, os manifestantes chegaram à concentração em ônibus fornecidos pelas autoridades. A chamada Marcha da Nação Combatente é a mais recente de uma série de manifestações de massa que se propõem a pressionar os EUA a decidirem o mais rápido possível a sorte do menino, que foi resgatado do mar aberto há um mês, na costa da Flórida, quando flutuava sozinho em uma câmara de ar.
A mãe do menino morreu afogada no curso de uma aparente tentativa de imigração ilegal de Cuba aos Estados Unidos. Elián foi entregue aos cuidados de familiares em Miami. Seu pai, Juan Miguel González, que vive em Cuba, exige a devolução se seu filho.
Um tio-avô de Elián, que mora em Miami, entrou com uma ação legal para ganhar o direito de guarda do menino.
A briga pela custódia de Elián se converteu em uma batalha ideológica entre os cubanos dos dois lados do Estreito da Flórida. O menino é agora símbolo das ideologias de ambas partes.





