Arquivo FolhaJoão Paulo II: saúde delicadaCerca de 8 milhões de cubanos foram à urnas ontem para eleger 601 deputados do Parlamento e 1.119 delegados de Assembléias Provinciais. A forte chuva não impediu a formação de longas filas nos 30 mil colégios eleitorais. Segundo a comissão eleitoral, houve 95% de participação e o presidente Fidel Castro reelegeu-se deputado. O voto não é obrigatório em Cuba, mas é considerado um dever patriótico e moral, apesar de todos os candidatos pertencerem a um único partido, o Comunista.
Depois de votar, o presidente Fidel Castro afirmou à multidão que o rodeou que o povo e não ele é o verdadeiro protagonista da revolução. ‘‘Castro é um indivíduo entre milhões que teve o privilégio de nascer nesta terra e de um povo como este’’. Castro negou-se ontem a confessar se acreditava ou não em Deus por se tratar de um assunto ‘‘íntimo’’, afirmando ainda que responder a esta pergunta o faria cair numa ‘‘armadilha’’. Ele votou na cidade de El Cobre (na periferia de Santiago de Cuba, a leste da ilha), afirmou numa conversa com jornalistas que até o Papa ignora quais são suas crenças religiosas porque nunca ‘‘foi perguntado sobre isto’’.
France PresseFidel Castro vota em Santiago de Cuba: visita de João Paulo II à Ilha tráz esperanças de avanço democrático
O Papa João Paulo II chega a Havana no dia 21, para uma esperada visita de quatro dias à Ilha de Cuba. Um das preocupações com a cansativa programação prevista é com a saúde do Papa. Ontem, no Vaticano, João Paulo II sofreu uma leve vertigem, momentos antes da celebração de uma missa. De acordo com a informação, o Papa entrava na Capela Sistina quando aconteceu o incidente. João Paulo apoiou-se em seu báculo pastoral e inclinou-se para frente como se fosse cair. Um dos acompanhantes adiantou-se para ampará-lo e pouco depois a vertigem passou. O Papa celebrou a missa normalmente e batizou 19 crianças, entre elas uma brasileira.
Eleição A Assembléia Nacional do Poder Popular, eleita ontem em Cuba, tomará posse dia 24 de fevereiro por um período de cinco anos, e nesse dia deverá escolher quais de seus membros integrarão o Conselho de Estado. Este corpo colegiado de 30 membros dirige o Estado entre os dois períodos anuais ordinários da Assembléia e seu presidente é também o presidente do Conselho de Ministros, como prevê a Constituição. Os dois cargos são ocupados por Fidel Castro desde 1976, quando foi implantado o atual sistema de governo e o sistema eleitoral, embora este último tenha sido modificado em 1992. A eleição indireta para a Assembléia Nacional foi mudada para direta e secreta.

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