Cuba não ‘‘está demonstrando interesse em continuar construindo’’ a usina nucleoelétrica de Juraguá, um projeto suspenso em 1992, após o desaparecimento, no ano anterior, da União Soviética, afirmou ontem numa coletiva o presidente russo, Vladimir Putin.
Putin também assinalou que ‘‘na obra foram colocados recursos financeiros e técnicos consideráveis’’.
No projeto houve o investimento de 1 bilhão de dólares durante 12 anos. Estima-se que, para terminar a construção, serão necessários pelo menos mais 750 milhões de dólares.
Se for concluída, a usina de Juraguá será a primeira de tecnologia russa instalada nas Américas e a primeira a ser construída em um clima tropical, frente às costas dos Estados Unidos.
Washington se opôs energicamente à conclusão da central nuclear, pois a considera uma ameaça para a segurança de seu estado da Flórida, ao mesmo tempo que o Pentágono está financiando a construção de uma rede de dois milhões de dólares para controlar eventuais fugas de irradiação da usina.
O presidente da Rússia concluiu ontem sua visita oficial histórica de dois dias a Cuba, seguindo para o balneário paradisíaco de Varadero, 150 km ao leste de Havana.
Putin, o primeiro presidente russo a viajar à ilha comunista e à América Latina desde o colapso soviético, chegou na noite da última quarta-feira em Havana, sendo recebido pelo colega cubano, Fidel Castro.
Ontem, como parte da programação de sua visita, Putin depositou flores no monumento ao herói cubano José Martí, deu uma entrevista coletiva à imprensa e visitou um centro de pesquisa genética e biotecnológica, seu último compromisso oficial.
Putin viajou de carro para Varadero, onde ficará até o meio-dia de amanhã, quando viajará para o Canadá.
A visita oficial começou na manhã de quinta-feira, com uma cerimônia de boas-vindas no Palácio da Revolução, onde Putin conversou com Fidel, assinou uma declaração conjunta de caráter político e testemunhou a assinatura de cinco documentos de cooperação.

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