Havana- O jornalista independente Jorge Olivera, que cumpria pena de 18 anos de prisão, foi libertado ontem em Havana, elevando a sete o número de opositores beneficiados nos últimos oito dias com a ''licença extrajudicial'' do governo de Fidel Castro. ''Vários elementos convergem para a libertação desses sete dissidentes, entre eles uma posição firme e determinante da União Européia (UE) e a atitude valente de nossas mães e esposas'', disse Olivera, 43 anos, pouco depois da libertação.
Condenado durante julgamento sumário com outros 74 membros da oposição ao regime de Fidel, em abril de 2003, Olivera saiu da prisão com muitos problemas de sa© úde. ''Estou muito bem por estar novamente em casa, mas os médicos disseram que estou com transtornos digestivos crônicos, hipertensão arterial de origem nervosa, uma hérnia e amebíase'', contou o jornalista.
As libertações começaram há duas semanas com a transferência em massa de prisioneiros de cadeias de províncias para o hospital penitenciário do Combinado del Este, em Havana, onde passaram por check-up.
A libertação de Olivera, assim como as outras seis, responde ao mesmo padrão de libertação dos presos que estavam em estado muito crítico de saúde'', explicou Elizardo Sánchez Santa Cruz, presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN, não oficial). ''O governo não quer que ninguém morra em cativeiro e, por isso, está libertando os presos políticos'', disse o ativista, que se mostrou cético ante a possível libertação em massa.
As ''licenças extrajudiciais'' foram concedidas poucos dias depois de Cuba retomar seus contatos diplomáticos com a Espanha, cujo governo tenta revisar as sanções que a União Européia impôs à ilha de governo comunista após a onda de repressão contra dissidentes.
''Eu estava preso e não tinha muita informação, mas acredito que as libertações representam gestos claros do governo cubano com vistas à Europa'', destacou Olivera, ex-diretor da agência de imprensa independente Havana Press.

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