Num cenário de orgulho e nostalgia, milhares de cubanos reuniram-se ontem na cidade de Santiago de Cuba para celebrar o 40º aniversário do triunfo da guerrilha de Fidel Castro e ouvir o discurso do líder, que seria pronunciado no encerramento da cerimônia, à noite, do balcão do mesmo edifício de onde ele anunciou a vitória da revolução, há quatro décadas.
Habitantes da cidade que acompanharam o desenrolar do movimento guerrilheiro recordavam emocionados o dia da vitória, em 1º de janeiro de 1959, quando os rebeldes de Fidel desceram a Serra Maestra, no leste da ilha, nas proximidades de Santiago, depois de terem tomado conhecimento de que o então ditador, Fulgencio Batista, tinha deixado a capital, Havana, em fuga.
‘‘Foi maravilhoso’’, disse o jardineiro Eladio Montoya Cabrera, de 78 anos, ao recordar o dia histórico. ‘‘Todos saíram às ruas em festa, abraçavam-se e beijavam-se; na era Batista, os ricos e poderosos humilhavam os cubanos pobres.’’
Diego Echevarria Pérez, de 79 anos, que se apresentou como veterano da guerrilha, qualificou como ‘‘problemas momentâneos’’ a crise econômica que abala Cuba desde a derrocada da União Soviética. ‘‘Aqui, todos comem; o único problema é que não estamos podendo escolher o que comer’’, afirmou.
O histórico discurso de Fidel de 1959 permanece na memória dos cubanos. Na ocasião, alertando a população de que membros do exército de Batista poderiam aproveitar-se da fuga do ditador e ocupar o poder, ele disse: ‘‘Não me interessa nem nunca contemplei em momento nenhum assumir o poder. Mas temos de nos assegurar que o sacrifício de tantos de nossos compatriotas não foi em vão.’’
Prometeu também ‘‘exilar todo o ódio da república’’ e garantiu que ‘‘haveria liberdade’’ tanto para os que falavam a favor quanto aos que vociferavam contra ele.
Hoje, aos 72 anos, Fidel é um dos governantes há mais tempo no poder em todo o planeta e, apesar da tênue distensão dos últimos anos, a paciência de seu regime com os que tentam organizar grupos de oposição continua muito curta.
Diante das dificuldades econômicas, o governo de Cuba decidiu festejar os 40 anos da revolução com uma celebração solene, porém austera. Os órgãos de divulgação do regime intensificaram nas últimas semanas as chamadas ao nacionalismo, em contraste com a crescente reivindicação dos grupos de oposição no exílio da libertação dos presos políticos do país.Arquivo/FolhaFirmezaFidel mostra, aos 72 anos, a mesma firmeza do tempo em que liderou a revolução contra Fulgêncio BatistaReuters

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