France PresseFidel Castro se mantém no poder, apesar do embargo de 35 anosCuba se prepara para a era depois de Fidel Castro impulsionando uma série de transformações, entre elas a redução do exército, a incipiente abertura e liberdade religiosa, avaliaram analistas que participaram de uma Conferência sobre Cuba em Sommerville, Massachussets (nordeste dos EUA).
Os Estados Unidos também se preparam para o pós-Castrismo, afirmou o embaixador James Dobbins, assistente especial do Presidente Bill Clinton e membro do Conselho de Segurança Nacional, após reconhecer o fracasso do embargo, imposto há 35 anos, em provocar a queda de Fidel Castro.
Apesar desse fracaso, ‘‘estamos 40 anos mais perto do fim de Fidel Castro’’, disse, destacando que ‘‘não haverá mudanças na política de Washington enquanto Fidel Castro estiver no poder’’.
Jorge Domínguez, que dirige o centro de Assuntos Internacionais Weatherhead, da Universidade de Harvard, que participou da Conferência, destacou que com a exceção de alguns ‘‘líderes históricos’’, em Cuba tem havido ‘‘circulação das elites dirigentes’’, diferente do que ocorreu nos países socialistas. Estas novas elites se preparam desde já para assumir a transição num país sem Fidel, afirmou.
A Conferência, organizada pelo Centro Interamericano de Diálogo e o Centro de Estudos Latino-Americanos Davi Rockfeller de Harvard, foi celebrada sem a presença do convidado principal, o Ministro da Economia e Planejamento cubano, José Luis Rodríguez, que teve o passaporte negado pelos Estados Unidos.
A maioria dos especialistas que participaram da Conferência considerou que a política dos Estados Unidos com Cuba é um ‘‘obstáculo’’ para sua democratização e freia as reformas econômicas e políticas.
A maior parte deles também ressaltou que para a economia de Cuba crescer e para que sejam melhoradas as condições de vida da população, a ilha precisa se abrir a seu mercado natural, o norte-americano, e que os EUA também precisam se abrir para Cuba.
O Arcebispo de Boston, Bernard Law, pediu aos Estados Unidos para mudarem sua política com Cuba. Exigir uma ‘‘mudança de liderança’’ para qualquer mudança política é uma ‘‘proposta muito rígida, e dependendo dos meios usados para chegar a essa mudança, pode não ser válida moralmente’’, afirmou o religioso. Law diz que o embargo se mostrou ineficiente e as mudanças são necessárias, depois que o mundo mudou com o fim da URSS e a queda do Muro de Berlim.

mockup