Cuba confirma: ossada é mesmo de Che Guevara
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sábado, 12 de julho de 1997
France-Presse Havana 
Arquivo familiar/AFPLendárioO revolucionário cubano-argentino Ernesto Che Guevara (esq): vitória em Cuba e morte no interior da BolíviaCuba se preparava ontem para receber, com honras militares, os restos mortais de Ernesto Che Guevara, o mítico guerrilheiro capturado e assassinado há 30 anos na Bolívia.
O governo cubano confirmou oficialmente ontem, no jornal Granma, órgão do Partido Comunista Cubano, que os restos encontrados em Vallegrande (Bolívia) são os do guerrilheiro cubano-argentino Ernesto Che Guevara, morto há 30 anos em um vale dos Andes e cuja vida esteve intimamente ligada à revolução cubana.
O jornal, que também afirma que se identificaram formalmente as ossadas dos combatentes que morreram com Che na Bolívia, acrescenta que os restos de Che e dos cubanos caídos com ele chegarão em breve a Cuba, sem indicar a data. No entanto, fontes bem informadas disseram que a repatriação deverá acontecer amanhã.
O Granma confirmou apenas que o avião que transportará os restos dos gloriosos combatentes aterrizará no aeroporto militar de San Antonio de los Ba¤os, 25 km a oeste de Havana.
Em sua chegada, serão dadas 21 salvas de canhão e serão prestadas honras militares aos restos mortais dos quatro combatentes cubanos, cujo transporte será acompanhado por Ramiro Valdés, uma das figuras da revolução cubana, sobrevivente da expedição do Granma.
A repatriação dos restos do comandante Che dará lugar, segundo as autoridades cubanas, a uma cerimônia militar simples, que não será aberta ao público e na qual participarão Fidel Castro, o chefe de Estado cubano e companheiro de guerra de Che, sua viúva Aleida March, seus quatro filhos e os sobreviventes da matança boliviana e companheiros de armas de Che: Leonardo Tamayo Nu¤ez e Harry Villegas Tamayo, mais conhecido como Pombo.
Representantes dos dirigentes do partido, do governo e das organizações populares também estarão presentes.
Os restos de Che Guevara e de seus companheiros serão depositados num primeiro momento no Ministério das Forças Armadas de Havana. A partir de outubro, repousarão em um mausoléu atualmente em construção na praça que tem seu nome na cidade de Santa Clara, no centro da ilha, 301 km a leste da capital.
Santa Clara foi libertada em dezembro de 1958 por Che Guevara, que expulsou da cidade os soldados do ditador Fulgencio Batista (1952-58). Em Santa Clara, Che é considerado um herói local e suas estátuas estão por todas as partes.
Os restos de Che, identificados há vários dias pelo dr. González, diretor do Instituto de Medicina Legal de Cuba, e sua equipe de especialistas, depois de ter sido exumado de uma fossa comum, perto do aeroporto de Vallegrande (Sudeste da Bolívia), se encontram desde domingo passado no hospital de Santa Cruz.
Che esteve junto com Fidel Castro desde novembro de 1956, em Sierra Maestra, no comando do Exército Rebelde que entrou como vencedor em Havana no início de janeiro de 1959.
Che Guevara foi executado em 9 de outubro de 1967 em La Higuera, depois de ter sido capturado na véspera na Quebrada de Yuro por uma unidade boliviana dirigida pelo capitão Gary Prado Salmón.
Em dezembro de 1995, começaram as investigações na região de Vallegrande para encontrar seus restos, após as revelações do general da reserva Mario Vargas Salinas.
As ossadas de Che e de seis guerilheiros foram exumadas de uma fossa comum há cerca de três semanas.
Uma Informação ao Povo, publicada na primeira página do Granma, afirma que também se conseguiu estabelecer a identidade dos cubanos Alberto Fernández Montes de Oca, René Martínez Tamayo e Orlando Pantoja Tamayo; dos bolivianos Aniceto Reinaga e Simón Cuba e do peruano Juan Pablo Chang.


