Cuba começa homenagens a Fidel
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terça-feira, 29 de novembro de 2016
Fabiano Maisonnave<br>Folhapress 

Havana - À margem das homenagens oficiais a Fidel Castro, críticos do regime cubano veem as celebrações com indiferença e não acreditam em mudanças com a morte do líder que implantou o comunismo na ilha, em 1959. "Com a morte de Fidel, fica tudo igual", disse à reportagem Berta Soler, de 53 anos, do Damas de Branco, o grupo dissidente de maior visibilidade interna e formado por mulheres e parentes de presos políticos. "Já faz dez anos que Raúl Castro está mandando." Outros dissidentes, como Guillermo Fariñas, acreditam que haverá maior repressão, já que Raúl não tem o carisma do irmão, diminuindo a legitimidade do regime.
Segundo a Comissão Cubana de Direitos Humanos (CCDH), há 93 presos políticos em Cuba. Recentemente, em resposta a um pedido do papa Francisco, Raúl indultou dezenas de dissidentes.
Nesta segunda-feira (28), uma salva de canhão às 9 horas locais (12 horas em Brasília) marcou o início da despedida de Fidel, cuja morte foi anunciada na sexta-feira (25).
Desde as primeiras horas da manhã, alguns milhares de cubanos começaram a chegar à icônica Praça da Revolução, onde as cinzas de Fidel ficarão até quarta-feira (30), quando o cortejo começa uma peregrinação de 900 km até Santiago de Cuba. A multidão reunia caravanas de funcionários públicos, pessoas que vieram por conta própria e estrangeiros.
Por questão de segurança, o acesso à praça foi restrito a algumas entradas, e grandes filas logo se formaram nos pontos de acesso sob o sol ameno do outono caribenho. Ao contrário do previsto, a urna com a cinzas não estava exposta. Em seu lugar, havia uma fila diante de um altar que trazia a foto de um Fidel jovem, em traje militar e com mochila nas costas. Militares flanqueavam a imagem.
Trajando o uniforme da Aduana cubana, Mario Betancourt, de 73, chegou à praça com colegas de trabalho. Ele definiu o ditador cubano como "escudo" do país. "Ouvir seus ensinamentos por 50 anos nos fez comunistas. E comunista significa muitas coisas, como deixar de ser egoísta." Para ele, nada muda com a sua morte. "O partido tem o caminho traçado, não é ideia de um homem apenas", diz Betancourt, que trabalha na Aduana há 30 anos e esteve no Exército.


