CS pune Iraque com resolução moderada
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quinta-feira, 13 de novembro de 1997
AE-Reuters Nações Unidas, NY 
O Conselho de Segurança da ONU aprovou ontem à tarde uma resolução condenando o Iraque por vetar o trabalho de inspetores de armas americanos e proibindo os funcionários iraquianos envolvidos nesse veto de viajar para o exterior. A moderada resolução foi aprovada por todos os 15 membros do conselho - depois que os autores do projeto, os EUA e a Grã-Bretanha, desistiram de incluir no texto uma advertência quanto às sérias consequências de desafiar as Nações Unidas.
O documento também suspende, pelo menos até abril, a revisão periódica das sanções econômicas (incluindo um embargo petrolífero) impostas ao Iraque em 1990, após a invasão iraquiana do Kuwait. Mas a ameaça de lançar uma ação militar contra Bagdá foi deixada para uma eventual resolução posterior. Depois de árduas negociações com a Rússia, a França e a China (que são contra o uso da força contra o Iraque e têm poder de veto no Conselho de Segurança), o organismo da ONU só expressou a firme intenção de adotar outras medidas (não especificadas) se o regime de Saddam Hussein não parar de obstruir as inspeções de armas e não revogar a inaceitável decisão (tomada dia 29) de expulsar os sete americanos da Comissão Especial das Nações Unidas (Unscom), encarregada de supervisionar o desmantelamento dos arsenais iraquianos de destruição em massa.
O governo iraquiano reagiu em tom de desafio à decisão do Conselho de Segurança. O Iraque rejeita e condena a resolução, ressaltando que ela não o amedrontará e os iraquianos manterão os esforços para defender seus direitos legítimos, afirmou em Nova York o vice-primeiro-ministro Tareq Aziz.
Ontem de manhã, antes da votação da Resolução 1.137, mas quando sua aprovação já era dada como certa, o Iraque já adiantara que não cederia. O chanceler Mohammed Said al-Sahaf disse que, diante de novas sanções, o governo iraquiano porá em prática a decisão de expulsar os inspetores americanos (acusados de espionagem) e abaterá aviões espiões dos EUA quando julgar oportuno. Ontem, pela nona vez em dez dias, o Iraque impediu o trabalho da Unscom.
Já um funcionário da chancelaria turca denunciou que a aviação iraquiana multiplicou as violações de uma zona de exclusão aérea vigiada pelos EUA e por aliados no norte do Iraque.
Washington comemorou a aprovação da resolução do Conselho de Segurança. A antiga coalizão (antiiraquiana) está de volta, disse o embaixador dos EUA na ONU, Bill Richardson, referindo-se à aliança que forçou o Iraque a desocupar o Kuwait em 1991. O texto envia ao Iraque uma mensagem inequívoca e forte de que ele não pode continuar violando a lei internacional. Entretanto, diplomatas ressaltaram que a resolução não autoriza os EUA a usar a força.


