France PresseIraquianos protestam com enterro coletivo de criançasOs 15 membros do Conselho de Segurança alcançaram ontem à tarde um consenso sobre os termos de uma resolução que, embora ameace o Iraque com ‘‘as mais severas consequências’’ se ele violar um acordo com a ONU para a inspeção de seus arsenais, não dá, segundo os autores do texto, sinal verde para um ataque automático contra o país no caso de violação.
‘‘O conselho decide, de acordo com sua responsabilidade sob a carta das Nações Unidas, permanecer ativamente ocupado da matéria para garantir o cumprimento da resolução, a paz e a segurança na área’’, diz o texto, que endossa o acordo firmado na semana passada em Bagdá pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan. O embaixador britânico na ONU, John Weston, disse que a resolução seria votada e aprovada ainda na noite de ontem.
Os autores da resolução, a Grã-Bretanha e o Japão, indicaram que um eventual ataque necessitará de aprovação específica do conselho e prometeram atestar isso publicamente. Entretanto, o porta-voz do Departamento de Estado americano, James Rubin, advertiu que, para os EUA, o apoio que o país garante ter para uma eventual ação militar é ‘‘mais importante’’ que a formulação exata da resolução. ‘‘Governos-chave, incluindo os de membros do Conselho de Segurança, já nos reasseguraram de que apoiarão uma ação se o Iraque violar o acordo.’’
Os esforços britânicos para promover a resolução encontraram ampla resistência no Conselho de Segurança. A França, a Rússia e a China lideraram um grupo de países membros - incluindo o Brasil - contrário aos termos usados num esboço inicial, que poderiam ser interpretados como autorização para um ataque automático.
Para facilitar a aprovação, o esboço inicial foi então amenizado pela Grã-Bretanha, que substituiu a expressão ‘‘as mais severas consequências’’ por ‘‘consequências muito severas’’. Entretanto, aparentemente por pressão dos EUA, a primeira expressão foi posta de volta no texto, mas sob a garantia nipo-britânica de que ela não autoriza um ataque automático.
Em Bagdá, o vice-primeiro-ministro Tareq Aziz garantiu que o Iraque já não tem armas de destruição em massa e pediu o fim do embargo econômico em vigor desde 1990. Os iraquianos realizaram uma grande cerimônia fúnebre em Bagdá ontem para 43 crianças que teriam morrido em consequência do embargo enconômico imposto ao país.

mockup