Os quinze membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas concordaram em analisar amanhã o protesto do Sudão contra os Estados Unidos pelo ataque norte-americano a um laboratório farmacêutico em Cartum, informou a presidência do Conselho. ‘‘Existe um consenso entre os membros do Conselho de que amanhã será o melhor dia’’ para tratar do assunto, afirmou o diplomata esloveno, Samuel Zbogar, atual presidente do Conselho.
O Sudão pediu ao Conselho de Segurança que envie uma missão de investigação a Cartum a fim de comprovar que Al-Chifaa não era uma fábrica de armas químicas, como afirmam os Estados Unidos, disse à AFP o embaixador do Sudão, Mohamed Erwa. O governo sudanês também pediu que o Conselho de Segurança realize reuniões informais para prevenir uma nova ‘‘agressão’’. De acordo com vários diplomatas, é pouco provável que os membros do Conselho adotem uma decisão amanhã, já que a tradução da carta de protesto do Sudão só deverá ser entregue na manhã do mesmo dia.
O embaixador do Sudão afirmou ter enviado o protesto ao presidente do Conselho de Segurança no final da tarde de sexta-feira. Os Estados Unidos atacaram com mísseis e destruíram na quinta-feira o laboratório farmacêutico Al-Shifa, ao norte de Cartum. A Casa Branca afirma ter ‘‘provas’’ de que o laboratório fabricava um agente utilizado no gás neurotóxico VX, algo que Cartum desmente categoricamente.
O chanceler sudanês, Mustafa Osman Ismail, declarou que ‘‘a fábrica não tinha nada a ver com armas químicas. Não há armas químicas no Sudão. Estamos dispostos a receber qualquer comitê investigador para provar isto’’. O Sudão também anunciou a retirada de seus diplomatas em Washington.
Apoio A grande maioria dos norte-americanos considerou correta a decisão do presidente Bill Clinton de ordenar ataques militares ao Sudão e ao Afeganistão. Segundo uma pesquisa da emissora de televisão ABC, 80 por cento dos entrevistados apoiaram a intervenção militar enquanto uma sondagem do jornal USA Today e da rede de TV CNN, apontou 66 por cento favoráveis à decisão de Clinton.
Nessa última pesquisa, 58 por cento das pessoas ouvidas disseram acreditar que o presidente apenas atuou visando o interesse do país enquanto 36 por cento afirmaram que Clinton também quis distrair a atenção do povo sobre o escândalo Mônica Lewinsky.

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