Cruz Vermelha destrói sangue doado por voluntários nos EUA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de novembro de 2001
France Presse<Br>De Washington 
A Cruz Vermelha americana começou a destruir centenas de milhares de bolsas de sangue oferecidas por voluntários depois dos atentados de 11 de setembro por causa de dificuldades para sua conservação, informou ontem o diário The Washington Post.
Segundo responsáveis do organismo citados pelo jornal, devem ser destruídas até 20% das bolsas de sangue doadas depois dos trágicos atentados que atingiram Nova York e Washington.
Respondendo aos pedidos de solidaridade e colaboração que as autoridades lançaram depois de 11 de setembro, milhares de americanos compareceram aos principais centros de doação de sangue em todo o país.
A Cruz Vermelha aceitou o sangue de todos os doadores temendo a possível escassez do produto.
De qualquer forma, precisou o Washington Post, em declarações públicas a organização disse estar incapacitada para conservar de modo apropriado todo o sangue doado.
Pelo menos 120 mil litros de sangue obtidos depois dos ataques, e inclusive até 200 mil, serão destruidos, segundo os responsáveis.
A Cruz Vermelha, o maior organismo de distribuição de sangue dos Estados Unidos, recolhe cerca de três milhões de litros de sangue anualmente. A organização obtém 60% de seus ingressos, o que equivale a 1,5 bilhão de dólares, da venda de produtos sanguíneos aos hospitais do país.
A organização foi alvo de fortes críticas depois do anúncio de que cerca de 200 milhões de dólares, sobre um total de 564 milhões obtidos depois dos atentados, seriam utilizados para enfrentar ''futuras ameaças terroristas'' e não para as vítimas desses atentados.
A ex-presidenta da organização, Bernadine Healy, que renunciou no último 26 de outubro, declarou ao Congresso na semana passada que os fundos bloqueados permitiriam financiar o armazenamento do sangue congelado durante a emergência.


