A rebelião militar da madrugada de ontem se soma a uma longa lista de convulsões sociais e políticas que agitam o Paraguai desde o assassinato, em março de 1999, do vice-presidente Luis María Argaña, que foi atribuído pelas autoridades ao ex-general golpista Lino Oviedo.

• 23 de março de 1999: Um comando assassina o vice-presidente Luis Maria Argaña.
• 26 de março de 1999: Sete jovens manifestantes morrem em confusos incidentes registrados diante do Congresso, por disparos atribuídos a ativistas oviedistas.
• 28 de março de 1999: o presidente Raúl Cubas renuncia e se asila no Brasil, enquanto seu mentor político, Lino Oviedo, se asila na Argentina. Assume a presidência da República o titular do Congresso, Luis González Macchi, segundo de Argaña no Partido Colorado.
• 30 de março de 1999: Instala-se o gabinete de unidade nacional com ministros colorados e da oposição liberal e social-democrata.
• 4 de setembro de 1999: Crise diplomática com a Argentina e o Uruguai por causa do asilo concedido a Oviedo e a alguns de seus colaboradores.
• 9 de dezembro de 1999: Oviedo abandona seu asilo na Argentina e passa para a clandestinidade.
• 16 de dezembro de 1999: A família Argaña oferece uma recompensa de US$ 100 mil por sua captura.
• 30 de dezembro de 1999: Liberais rompem o diálogo com o governo e anunciam que se retirarão do gabinete.
• 9 de janeiro de 2000: Oviedo aparece no interior do Paraguai e é entrevistado por vários veículos da imprensa. Acusa de usurpador o governo de González Macchi e enfatiza que ‘‘se despedaça’’.
• 27 de janeiro de 2000: A Frente Sindical rompe o diálogo com o governo.
• 1 de fevereiro do 2000: Presidente anuncia projeto para privatizar por decreto as empresas públicas.
• 5 de fevereiro de 2000: Os liberais (segunda força) se retiram da coalizão governamental para exercer oposição.
• 15 de março de 2000: Cerca de 20 mil camponeses marcham sobre Assunção por reivindicações.
• 22 de março: Sindicatos estatais e do transporte anunciam greves por tempo indefinido contra as privatizações ‘‘por decreto’’.
• 27 de março: Camponeses programam nova marcha em Assunção.
• 29 de março: González Macchi firma um acordo de reativação do setor agrícola e um aumento salarial com a Frente Sindical e Social de Camponeses e funcionários estatais.
• 30 de março: Greve de empregos da companhia estatal de telefones contra a privatização da entidade.
• 31 de março: em declarações telefônicas para uma televisão uruguaia, Oviedo reclama novas eleições presidenciais em seu país.
• 9 de abril: Félix Argaña, filho do vice-presidente Luis María Argaña assassinado, é eleito candidato do Partido Colorado para as eleições que devem ser realizadas em agosto.
• 15 de abril: uma caravana de automóveis e caminhonetes com seguidores de Oviedo invade o centro de Assunção, exibindo cartazes que pedem ‘‘Lino Jᒒ.
• 18 de abril: a polícia antiterrorista ocupa o Palácio da Justiça em prevenção de possíveis atentados.
• 27 de abril: as autoridades invadem um edifício do centro da Ciudad del Este (330 km a Leste) em busca de Oviedo.
• 4 de maio: O encarregado de negócios da Embaixada dos EUA em Assunção, Stephen McFarland, assegura que, no Paraguai, não existe uma base econômica que ‘‘sustente a longo prazo a democracia’’.
• 8 de maio: Oviedo, na clandestinidade, convoca a não-participação nas eleições vice-presidenciais de 13 de agosto, depois afirmar que o atual governo do presidente Luis Gonzalez Macchi ‘‘usurpa o poder’’ e deve convocar eleições presidenciais.
• 9 de maio: o Senado vota uma lei de privatização de sete empreass estatas, apesar de limitar seus efeitos a apenas dois - a telefônica Antelco e a companhia sanitária Corposana - em uma decisão que provocou o imediato protesto dos trabalhadores.
• 11 de maio: pelo menos 45 pessoas ficaram feridas e 320 foram detidas depois de um enfrentamento entre camponeses sem terra e forças de segurança que os desalojaram de um estabelecimento rural que foi ocupado.
• 12 de maio: Funcionários da telefônica estatal Antelco atacam a sede do Partido Colorado, onde arriaram e queimaram a bandeira do grupo.
• 13 de maio: a polícia prende 22 militantes do movimento oviedista União Nacional de Colorados Éticos (Unace, oviedista), entre eles Fabiola Oviedo, a filha do ex-militar.
• 18 de maio: um grupo de militares e policiais se revola e toma a sede do poderoso Primeiro Corpo de Exército, nas periferias de Assunção, em uma tentativa de derrubar o Governo do presidente Luis González Macchi.

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