Associated Press
De Zagreb
Dinko Sakic, o último comandante vivo conhecido de um campo de concentração da Segunda Guerra Mundial, foi declarado ontem culpado de crimes contra a humanidade e sentenciado a 20 anos de prisão.
Sakic, 78 anos, foi considerado responsável pelo assassinato de cerca de 2 mil pessoas. Ele ou executou pessoalmente os assassinatos ou permitiu a matança quando administrou o infame campo de concentração croata de Jasenovac em 1944.
Enquanto o presidente do júri, juiz Drazen Tripalo, anunciava o veredito, Sakic aplaudia ironicamente. Um rumor de desapontamento pôde ser ouvido no tribunal, provavelmente vindo de uns poucos políticos direitistas que acompanhavam o julgamento.
Tripalo disse que o tribunal de sete integrantes considerou Sakic culpado de todas as acusações, e que o comandante ‘‘maltratou, torturou e matou detentos – atos que ele ou pessoalmente ordenou, participou, ou não fez nada para evitar que seus subordinados o fizessem’’. Ele também afirmou que Sakic era pessoalmente responsável pelo assassinato de detentos.
‘‘Esperamos que a sentença – emitida 55 anos depois dos eventos – seja um aviso para todos os que cometeram crimes num passado próximo ou remoto que não irão escapar da Justiça’’, disse Tripalo. ‘‘Também esperamos que o veredito seja um aviso para o futuro’’.
Jasenovac, descrito por grupos judeus como o ‘‘Auschwitz dos Bálcãs’’, foi o pior de mais de 20 campos de concentração mantidos pelo estado fantoche pró-nazista da Croácia. Dezenas de milhares de sérvios, judeus, ciganos e croatas antifascistas morreram em Jasenovac entre 1941 e 1945.
O advogado de Sakic, Ivan Kern, disse que irá apelar do veredito.
Durante o julgamento de seis meses, mais de 30 sobreviventes do campo lembraram da fome, de doenças não tratadas e da morte daqueles considerados incapazes para o trabalho. Eles afirmaram que temiam por suas vidas e que viram outros sangrando ou sendo mortos.
Pelo menos quatro testemunhas viram Sakic descarregar seu revólver na cabeça de um detento, o médico Milo Boskovic.
Sakic mostrou-se calmo durante os depoimentos, parecendo completamente inabalável, às vezes até entediado. Ele riu de um testemunho e classificou outros de ‘‘fantasias’’ ou propaganda anticroata.
Sakic fugiu da Croácia em 1945 quando o regime fascista do país foi esmagado e viveu tranquilamente na Argentina até junho de 1998, quando foi extradidato para a Croácia para ser julgado.
A mulher de Sakic, Nadia, que foi guarda em campos de concentração durante a Segunda Guerra, também foi julgada mas acabou sendo inocentada em 1998.

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