Cristina propõe adiantar eleição
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sexta-feira, 13 de março de 2009
Folhapress 
Buenos Aires- Em uma decisão surpreendente, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou ontem o envio de projeto de lei ao Congresso para antecipar em quatro meses as eleições legislativas nacionais, de 25 de outubro para 28 de junho. A justificativa do governo é que se trata de encurtar o debate político para enfrentar melhor a crise mundial. Seria quase suicida embarcar a sociedade em disputas até outubro quando o mundo cai em pedaços e pode cair em cima de nós, afirmou Cristina em discurso ao lado do marido e antecessor, Néstor Kirchner (2003-2007).
Para analistas ouvidos pela reportagem, a antecipação obedece a cálculos políticos e econômicos. Em meio a deserções na base parlamentar, o governo quer evitar a unificação da oposição em disputa essencial à governabilidade da segunda metade do mandato de Cristina. Busca também ir às urnas antes que os impactos da crise mundial na economia local se mostrem mais fortes.
As eleições deste ano renovam metade da Câmara de Deputados (127 de 257 vagas) e um terço do Senado (24 de 72), além de deputados e senadores provinciais. Para ser efetivada, a mudança no calendário precisa de maioria simples (metade mais um) em ambas as Casas -apesar de baixas recentes, o governo ainda conta com maioria estreita nas duas.
Cristina conclamou as Províncias a anteciparem suas eleições -possibilidade também prevista por via legislativa. O pleito é chave para o casal Kirchner, que vive seu pior momento em sete anos. A popularidade de Cristina, eleita no final de 2007, caiu de 60% para 30% desde o conflito com o setor rural.


