Buenos Aires- A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e seus ministros reagiram com ataques aos EUA à acusação, feita pela Procuradoria federal americana, de que o governo venezuelano enviou dinheiro ilegalmente para sua campanha eleitoral. Cristina qualificou a acusação de ''lixo da política internacional'' e disse que ela faz parte de uma operação para abalar sua relação com o colega Hugo Chávez.
''Com personagens que parecem saídos de filmes ou séries americanas, montam as próprias realidades de operações-lixo. Assim se percebe como alguns concebem a política internacional. Mais do que países amigos, querem países subordinados'', afirmou.
Cristina fez seu discurso em um ato em que anunciava a remoção de 26 depósitos de lixo ao céu aberto na Província de Buenos Aires.
Os ''personagens'' a quem ela se refere são os venezuelanos residentes em Miami Carlos Kaufman, Franklin Durán e Moises Maionica e o uruguaio Rodolfo Wanseele, presos na terça-feira pelo FBI (polícia federal americana) sob a acusação de trabalharem como agentes do governo venezuelano nos Estados Unidos.
Segundo queixa criminal apresentada na quarta-feira a uma corte federal de Miami, os quatro pressionaram o empresário venezuelano-americano Guido Antonini Wilson a não revelar a origem dos US$ 800 mil com os quais tentou entrar na Argentina em agosto.
Embora a queixa não mencione o nome de Cristina, apenas ''um candidato à eleição presidencial da Argentina'', o procurador federal que acompanha o caso disse que o candidato em questão era a presidente, eleita em 28 de outubro.
Ontem, porta-voz do escritório em Miami da Procuradoria dos EUA afirmou que Wilson fez gravações em que os acusados citam os nomes de Cristina e Chávez.
Cristina viu nas prisões, ocorridas um dia após a sua posse, uma operação dos EUA em represália à sua relação com Chávez e aos diálogos que manteve com autoridades colombianas e francesas sobre a necessidade de liberar os reféns das Farc.

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