Buenos Aires - A cirurgia para a retirada de um coágulo na cabeça de Cristina Kirchner, ontem em Buenos Aires, durou quase duas horas e ocorreu sem complicações, segundo o boletim médico do hospital Fundação Favarolo. Às 13h20, o porta-voz da Presidência, Alfredo Scoccimarro, apareceu na porta do hospital e anunciou que a cirurgia foi "satisfatória" e que a presidente da Argentina, de 60 anos, já está no quarto. "Ela está animada e mandou saudações a todos. Agradeceu à equipe médica e a todos que rezaram por ela. Ela está de muito bom humor", disse. Ele também contou que Cristina estava acompanhada da mãe e dos filhos, Máximo e Florencia. A mandatária deverá ficar internada nos próximos cinco dias. O hospital e a Presidência informaram que o próximo boletim médico será divulgado ao meio-dia de hoje. Cristina foi operada de um hematoma subdural crônico, diagnosticado no sábado. O coágulo na cabeça é consequência de um trauma que ela teria sofrido no dia 12 de agosto.
Durante toda a manhã, as duas entradas da Fundação Favarolo, uma na Avenida Belgrano e a outra na Rua Venezuela, concentraram diversos militantes kirchneristas e apoiadores de Cristina. Bárbara Fernández, de 62 anos, estava sentada em um banquinho que levou de casa, com um terço na mão e na camisa o broche "La Dekada Ganada" (A Década Ganhada), com a palavra década escrita errada, com K, em referência à letra inicial de Kirchner. A aposentada de Buenos Aires já havia ido ao hospital na noite anterior, onde montou um altar com a imagem de Nossa Senhora de Luján. "Vou rezar muitos rosários por Cristina. Ela vai ficar boa logo", diz ela.
A seu lado, o casal Raúl García, de 66, e Maria Savere, de 60, levava a mão no peito enquanto fazia uma oração. Os dois, que são da província Chubut, na Patagônia argentina, aproveitaram a viagem a Buenos Aires para ir à porta do hospital "rezar por Cristina".
Cristina foi diagnosticada no sábado com um hematoma subdural crônico (quando há acúmulo de sangue próximo à meninge dura-máter, que fica entre o crânio e o cérebro), consequência de uma queda que teria sofrido em 12 de agosto. A Presidência não informa como foi o acidente. No domingo à noite, de repouso na residência oficial de Olivos, ela começou a sentir um formigamento no braço esquerdo. Os médicos verificaram que ela estava perdendo força nesse membro, um dos sintomas da compressão cerebral. O boletim médico informou que a proposta inicial de repouso de 30 dias foi alterada para a cirurgia, mas não deu detalhes.

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