Cristina defende entrada da Venezuela no Mercosul
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Agência Estado 
Montevidéu - A presidente eleita da argentina, Cristina Kirchner, que assumiu ontem a presidência pro-tempore do Mercosul, afirmou que durante o primeiro semestre de 2008 espera ''incorporar a Venezuela'' ao bloco do Cone Sul.
Cristina também ressaltou que existem países na vizinhança do Mercosul que ''não encaram como positivo que os vizinhos se unam''. Segundo ela, ações ''pretendem nos dividir, separar''. ''Há aqueles que querem países empregados e subordinados'', esbravejou, para depois arrematar em tom de desafio: ''não vão nos dobrar''.
A frase foi interpretada como alusão direta aos EUA já que o governo Cristina acusou a administração Bush de estar por trás das denúncias realizadas pelo FBI e pela Justiça Federal de Miami de que ela recebeu dinheiro do presidente venezuelano Hugo Chávez para sua campanha eleitoral. Enquanto isso, do outro lado do rio da Prata, em Buenos Aires, seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, atual ''primeiro-cavalheiro'', também acusava os EUA e indicava que a Argentina ''não é uma colônia''.
Kirchner exigiu que a Justiça norte-americana extradite o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson, que protagonizou em agosto passado a tentativa de contrabandear os US$ 790 mil supostamente destinados à campanha de Cristina.
Chávez negou qualquer tipo de vínculos com Antonini Wilson. Ele também negou conexões com os três venezuelanos detidos em Miami que teriam tentado subornar Antonini Wilson a manter silêncio sobre a operação de envio de dinheiro de Chávez para Cristina.
Novos mercados - Na contra-mão, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, anfitrião da 24 Cúpula de Presidentes do Mercosul, encerrada ontem, pediu que o bloco tenha ''mais flexibilidade'' e permita que ''os países de economias menores possam ter acordos com países de fora da região''. Por trás desta declaração está o interesse do governo uruguaio em obter permissão do Mercosul para negociar Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos.
Vázquez também ressaltou a assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e Israel. ''Isso mostra a vontade que o bloco tem de abertura com outros países e blocos.'' O acordo é o primeiro que o bloco assina com um país de fora do continente.
Filho feio - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que ''inimigos internos e externos'' do bloco não querem ver o seu avanço do Mercosul. Entre os inimigos internos, Lula mencionou claramente os corpos técnico e burocrático dos quatro países sócios do projeto. O presidente reconheceu, entretanto, que se a integração não se aprofundou como deveria nos últimos anos, ''a culpa é iminentemente nossa''.
Para ele, para os temas de integração, a vontade política deve prevalecer sobre as decisões técnicas. ''O Mercosul é como um filho que colocamos no mundo e, às vezes, somos tão exigentes com ele que só vemos coisas feias nele. Dentro dos nossos governos, das nossas burocracias, há gente que não assimila o Mercosul'', afirmou Lula.


