Crise prejudica acordo da Bolívia com o Brasil
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segunda-feira, 23 de outubro de 2006
Teresa Navarro<br> Agência Estado 
São Paulo - O governo brasileiro passou a trabalhar para concluir o acordo com a Bolívia até o próximo sábado, dentro do prazo previsto no decreto de nacionalização das reservas de gás e petróleo. Nesta data espera-se que seja possível concluir a assinatura de um novo contrato entre a Petrobras e a estatal boliviana YPFB.
No início da semana passada, porém, a expectativa era conseguir um adiamento do cronograma por mais 60 dias. O assunto chegou a ser discutido pelo partido do governo, o MAS. Uma fonte do governo brasileiro ligada às negociações diz que agora essa possibilidade praticamente não existe mais, porque o governo de Evo Morales tem enfrentado pressões cada vez maiores internamente. O acirramento da crise na Bolívia acabou prejudicando o acordo com o Brasil.
''A ebulição política na Bolívia aumentou em razão dos confrontos com mineiros e das greves'', afirma a fonte, lembrando que há dois meses estava muito mais fácil negociar do que agora. Com isso, o governo de Evo Morales, que já estava dividido, tem enfrentando dificuldades adicionais para adotar uma política mais branda com a Petrobras e demais petroleiras instaladas na Bolívia.
Embora a situação política esteja pior na Bolívia, o Ministério das Minas e Energia (MME) se apressa para concluir as negociações nos próximos quatro dias úteis. A assessoria do ministro Silas Rondeau informou que ele está acompanhando de perto as negociações que acontecem hoje em La Paz, já conversou três vezes por telefone com o ministro de Hidrocarburos da Bolívia, Carlos Villegas, durante a manhã e deverá manter novos contatos durante a tarde.
Esta é a quarta reunião técnica no último mês entre os dois governos para tentar costurar um novo contrato entre as duas estatais, a Petrobras e a YPFB.


