Crise no Tibete assombra celebrações
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sexta-feira, 21 de março de 2008
France Presse 
Roma- A crise no Tibete assombrou as celebrações da Páscoa no Vaticano, com o Papa Bento XVI realizando poucas críticas na tentativa de se aproximar da China e conseguir maior liberdade para a Igreja católica no gigante asiático. Bento XVI, que dá grande importância à Ásia em seu pontificado, decidiu há vários meses dedicar à igreja da China as meditações lidas nas 14 estações do tradicional Via Crucis noturno no Coliseu de Roma.
Para isso, o Sumo Pontífice encarregou o cardeal de Hong Kong, o chinês Joseph Zen Ze-Kiun, de redigir os textos.
Desde os anos 60, os textos das meditações foram escritos por personalidades intelectuais, dentre eles o poeta italiano Mario Luzi, a monja protestante Minke de Vries e o cardeal da Nicarágua Miguel Obando e Bravo.
O cardeal Zen, conhecido defensor da liberdade religiosa, é referência para os católicos na China e faz a ponte entre as autoridades comunistas e a Santa Sé. Ele, contudo, não estará presente no Coliseu. ''O Papa tenta assim manifestar sua pessoal atenção para o continente asiático e envolver nesse rito de piedade cristã os fiéis da China'', escreveu Zen na introdução.
Em algumas passagens das meditações, divulgadas com antecedência pelo Vaticano, o cardeal se refere aos ''mártires do século XXI'' e em particular as vítimas das ''tenebrosas perseguições religiosas''.
O Vaticano e a China mantêm relações difíceis. A Santa Sé rompeu relações diplomáticas com a China em 1951, dois anos depois da vitória do comunismo e da instauração do ateísmo, que representou uma forte repressão contra os fiéis de toda religião.


