CRISE NO ORIENTE MÉDIO - Líder do Hezbollah declara 'guerra aberta'
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sexta-feira, 14 de julho de 2006
Folhapress 
São Paulo - O líder do grupo terrorista libanês Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, declarou ontem ''guerra aberta'' contra Israel, em meio à escalada que atinge o Oriente Médio depois que o movimento extremista sequestrou dois soldados israelenses e matou oito militares.
Em um pronunciamento transmitido pelo canal de TV Al Manar, pouco depois de ter escapado de um ataque israelense que destruiu seu escritório e sua casa, o chefe do Hezbollah também anunciou a destruição de uma fragata israelense perto de Beirute.
''Vocês queriam uma guerra declarada. Vocês terão uma guerra'', afirmou. ''Vocês escolheram ir à guerra com uma nação (...) que possui capacidade, experiência e coragem'', afirmou Nasrallah. O xeque fez um pedido de resistência ''ao povo libanês e ao Estado libanês''. ''Prometo a vitória'', declarou.
O navio de guerra israelense foi atingido ontem perto da costa do Líbano por um avião teleguiado carregado com explosivos lançado pelo Hezbollah, informaram autoridades militares de Israel.
A ação indica que o Hezbollah estaria utilizando uma nova arma além do seu arsenal de foguetes e morteiros normalmente utilizados para atingir Israel. ''Olhem ao longo de Beirute e verão um navio de guerra israelense em fogo. Nossos combatentes conseguiram atingi-lo e destruí-lo'', afirmou Nasrallah.
Aviões israelenses voltaram a atacar ontem o aeroporto de Beirute, além de atingirem estradas, centrais de elétricas e de comunicação. Foi a terceira vez que Israel atingiu o aeroporto desde o início da campanha contra o Hezbollah, há dois dias.
A força aérea de Israel também atacou a principal estrada que liga Beirute a Damasco e reforçou o cerco aéreo, naval e terrestre ao Líbano. Três pessoas morreram e outras 40 ficaram feridas nos novos ataques, segundo fontes da segurança. Com as novas mortes, o número de pessoas em sua maioria civis mortas no Líbano desde o início da ofensiva israelense chega a 60. O total de feridos já soma 143.
Entre os mortos, está uma família de brasileiros, o professor libanês Akil Merhi, de 34 anos, sua mulher, Ahlam Merhi, 28, e dois filhos do casal. Eles moravam em Foz do Iguaçu (PR), estavam em férias no Oriente Médio e deveriam retornar para casa no fim de julho.
Segundo o Exército de Israel, mais de 130 mísseis foram lançados pelo Hezbollah contra territórios israelenses nas últimas 48 horas, matando dois civis e ferindo mais de cem. De acordo com o Exército, a sede do Hezbollah no sul de Beirute está entre os alvos atacados ontem.
O Hezbollah que deseja libertar prisioneiros detidos em Israel realiza ataques frequentes com foguetes na fronteira do sul do Líbano desde 1996, quando Israel realizou uma ofensiva compra o grupo extremista na região.
A atual crise teve início há dois dias, quando o grupo extremista anunciou o sequestro de dois soldados israelenses. Em troca da libertação dos dois reféns, o grupo exige a libertação de detentos.
Entre eles, está o extremista Samir al Quntar, que cumpre 542 anos de prisão e é acusado de um sequestro ocorrido em 1979, no qual o israelense Danny Haran, 28, e sua filha de quatro anos foram mortos. Autoridades israelenses rejeitaram a exigência.


