CRISE NA BOLÍVIA - Petrobras admite que pode faltar gás em 6 dias
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quinta-feira, 09 de junho de 2005
Janaína Leite<br> Folhapress 
Rio de Janeiro - A Petrobras informou ontem que o Brasil pode enfrentar problemas de abastecimento de gás nos próximos dias em decorrência da crise política na Bolívia, que resultou no pedido de renúncia do presidente Carlos Mesa na segunda-feira. No entanto, a estatal descartou o risco de racionamento.
O diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, disse que os primeiros sinais de abastecimento podem ocorrer entre seis e sete dias devido à dificuldade no escoamento dos combustíveis líquidos na Bolívia, já que os reservatórios estão perto do limite.
Segundo a secretária de gás e energia do Ministério, Maria das Graças Forte, o governo brasileiro ainda não definiu prioridades e estratégias para a redução da demanda de gás. ''Até amanhã (hoje), acho que tudo estará definido'', afirmou. As declarações foram dadas na cerimônia de inauguração da plataforma P-47, no Rio de Janeiro.
Ontem, o governo e a Petrobras anunciaram a elaboração de um plano de contingência para evitar que a crise institucional da Bolívia provoque a interrupção do abastecimento de gás natural no Brasil. A Petrobras importa cerca de 24 milhões de metros cúbicos de gás natural boliviano por mês.
A indústria paulista pode ser a principal prejudicada com uma possível crise no abastecimento de gás natural nos próximos dias. A opinião é do professor Giuseppe Bacoccoli, da Coppe-UFRJ (Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia). Hoje, 40% dos cerca de 24 milhões de metros cúbicos de gás importados pelo Brasil da Bolívia são consumidos no Estado de São Paulo.
O principal problema enfrentado pela estatal brasileira no momento é o escoamento dos combustíveis líquidos na Bolívia, já que os reservatórios estão perto do limite. ''Acho que não vai parar por aí. Há uma crise institucional muito grande no país e eles (camponeses) podem explodir as instalações a qualquer momento. Eles querem voltar ao tempo do monopólio'', avalia o professor.
O consumidor brasileiro seria o segundo maior prejudicado pelo racionamento, com uma possível falta do gás veicular e do gás doméstico ou de botijão, avaliou Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-estrutura. O caminho, segundo ele, seria buscar fontes alternativas. ''No caso de veículos que rodam a gás, por exemplo, a alternativa seria rodar a álcool ou a gasolina (os veículos que rodam a gás têm a possibilidade de rodar com outro combustível)'', afirma Pires.
Quase 900 mil veículos são movidos por GNV (Gás Natural Veicular) no Brasil. No Rio de Janeiro, 30% da frota de automóveis são movidos a gás. Mesmo com a crise, Pires diz que o preço do gás para distribuidoras não deve sofrer alteração por ora. Segundo ele, o efeito da crise deve ser percebido no fim do ano ou no início do próximo ano. ''Não é algo que seja sentido imediatamente'', afirma.


