Buenos Aires, Argentina - A ONG Human Rights Watch pediu em relatório divulgado nesta quinta-feira (4) que o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, seja mais enfático ao expressar a necessidade de que organismos e países estrangeiros entrem na Venezuela levando medicamentos e comida.

Segundo o relatório, a Venezuela sofre de uma "emergência humanitária complexa", termo usado pela própria ONU e que "dá a Guterres autoridade para negociar a entrada no país por se tratar de uma urgência". O estudo foi elaborado com dificuldades, já que o governo venezuelano não fornece estatísticas confiáveis há alguns anos.

Os dados recolhidos pela organização, em parceria com pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, dos EUA, valeu-se de 150 entrevistas, a maioria com profissionais da área de saúde que deixaram o país e médicos que, sob anonimato, mandaram de Caracas e outras cidades dados sobre desnutrição, mortalidade materna e infantil, epidemias e outros problemas.

O texto afirma que as autoridades venezuelanas vêm se mostrando incapazes de conter a crise e até mesmo "a exacerbaram por meio de esforços para suprimir informações sobre a escala e a urgência dos problemas".

Em 23 de fevereiro, o ditador Nicolás Maduro impediu a entrada de toneladas de alimentos, remédios e itens de primeira necessidade enviados pelos EUA que chegariam ao país pelas fronteiras com o Brasil e a Colômbia. A operação havia sido articulada pelo oposicionista Juan Guaidó, que se autodeclarou presidente interino do país.

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