Crise em Kosovo marca reunião da UE
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quinta-feira, 12 de março de 1998
Reuter 
France PresseAnfitriãoO primeiro-ministro Tony Blair (centro) lamentou a ausência da Turquia e reafirmou o objetivo de uma Europa estável, pacífica, segura e prósperaA ausência da Turquia e o recrudescimento da crise nos Bálcãs - com a repressão sérvia na província de Kosovo - obscureceram ontem em Londres o primeiro dia de reunião de cúpula dos 15 países membros da União Européia (UE), no fórum destinado a preparar o ingresso de 11 Estados do Leste, dez deles da antiga esfera comunista.
O primeiro-ministro Tony Blair, da Grã-Bretanha - país que assume atualmente a presidência rotativa da UE - enfatizou que o dia era histórico para o continente.
O único objetivo é criar uma Europa que seja estável, pacífica, segura e próspera, resumiu, salientando que desejaria que a Turquia estivesse participando do encontro.
O presidente francês, Jacques Chirac, também lamentou a ausência de Ankara. A Turquia tem um lugar entre nós e a UE deve fazer esforços concretos para recebê-la.
Ansiosa há muito tempo por integrar a comunidade européia, a Turquia foi deixada no congelador em dezembro por causa de seu histórico de repressão aos direitos humanos, o conflito no Curdistão - onde a população luta por autonomia - e disputas com a Grécia, membro da UE, acerca da questão de Chipre, ilha dividida em uma área turca e outra grega.
Como não foi convidado a fazer parte da próxima ampliação da UE, o país recusou-se a participar do encontro em Londres.
Ontem, o presidente cipriota, Glafcos Clerides membro da minoria grega , propôs a inclusão de representantes da comunidade turca no grupo de negociadores de Chipre, apesar da recusa deles. A oferta foi bem recebida pela UE, que está tentando encontrar uma fórmula para incluir a ilha no primeiro grupo de países que integrarão a comunidade.
No dia 31 a UE manterá reuniões detalhadas com a Polônia, República Checa, Hungria, Estônia, Eslovênia e Chipre, incluídos no primeiro time de aspirantes. Numa etapa posterior será a vez da Bulgária, Romênia, Letônia, Lituânia e Eslováquia.
Ontem, o Parlamento Europeu, com sede em Estrasburgo, na França, aprovou uma resolução exigindo que a União Européia, as Nações Unidas e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) preparem o envio de uma tropa de intervenção preventiva em Kosovo, na Iugoslávia. O Parlamento enviou uma delegação a Belgrado para estabelecer um diálogo entre as autoridades sérvias e os albaneses étnicos de Kosovo.
Também os Estados Unidos estão dispostos a pressionar o presidente iugoslavo Slodoban Milosevic para que coloque fim à repressão em Kosovo. Washington está preparada inclusive para oferecer treinamento militar aos países dos Bálcãs vizinhos da província de Kosovo para garantir a estabilidade na região.


