Inter Press
De Assunção
Uma crise na coalizão de governo no Paraguai aumenta a debilidade do presidente Luis González Macchi diante uma onda de protestos de camponeses, trabalhadores, funcionários e empresários. Macchi chegou ao governo a partir da presidência do Congresso, com o apoio de todos os partidos, depois do assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, em 23 de março, e a renúncia do presidente Raúl Cubas.
Na semana passada, o governo deteve 14 militares acusados de espalhar rumores sobre a volta do exilado general Lino Oviedo e jornais noticiaram uma suposta tentativa de golpe. A legitimidade de Macchi é questionada por candidatos do seu próprio Partido Colorado na eleição para vice-presidente em agosto de 2000.
Um acordo com as demais forças políticas estabeleceu o compromisso de que os colorados não ocupariam a vice-presidência. O Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) e o Encontro Nacional (PEN) passaram a integrar o gabinete. O acordo começou a fazer água quando o Partido Colorado não cumpriu o compromisso. O PLRA anunciou que se retirará da coalizão se não for reservado a ele a vice-presidência e 40% dos cargos públicos até dia 8.
Os próprios integrantes do governo admitem que este mostrou debilidade ante medidas de luta social como a obstrução de rodovias e a invasão de propriedades.
Os sindicatos de jornalistas acusam o governo de manipular informações. Analistas independentes afirmam que a facção argañista colorada, que apóia González Macchi, emprega os mesmos recursos que a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

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