A corrida para o cargo de primeiro-ministro se acelerou ontem no Japão, com a declaração oficial de candidatura dos dois principais adversários dentro do partido governamental, o PLD, que centraram seus respectivos discursos na política econômica para tirar o Japão de recessão.
O ministro das Relações Exteriores, Keizo Obuchi, 61 anos, prometeu reduções de impostos de 6 trilhões de ienes (43 bilhões de dólares) para relançar a demanda interna, e fixou um prazo para a reorganização do sistema financeiro.
Seu adversário, Seiroku Kajiyama, de 72 anos, que goza do favorecimento dos meios econômicos e dos mercados, insistiu na gravidade da situação e estimou que os japoneses devem se esforçar seriamente para que o país volte a encontrar o caminho do crescimento.
‘‘Nas circunstâncias atuais não é fácil para o Japão se restabelecer. Acredito que encontraremos perspectivas para o século XXI através da dor e da perda de muito sangue. Não podemos superar a situação atual com esta inércia no campo político’’, disse numa coletiva de imprensa o veterano político.
Kajiyama prometeu reduções de impostos, sem dizer o montante, e um plano para criar um milhão de empregos.
‘‘Não podemos prever um futuro promissor sem novos sacrifícios. Não podemos conseguir o relançamento, e o Japão afundará se continuarmos com a política atual, sobretudo na economia’’, afirmou Kajiyama.
Obuchi tinha anunciado anteriormente que somaria às reduções de impostos 10 trilhões de ienes em gasto público suplementar mediante um coletivo orçamentário.
O ministro das Relações Exteriores criará um foro de reflexão sobre a recessão japonesa. ‘‘Se eu for eleito, quero pôr em marcha um foro sobre a estratégia econômica, com personalidades do setor privado, a cargo da gestão das empresas’’, disse Obuchi.
O grupo definirá medidas econômicas ‘‘radicais e rápidas’’, destacou o principal candidato à sucessão de Ryutaro Hashimoto.
O ministro fixou também uma data limite para que os bancos solucionem o problema dos créditos morosos: 31 de março de 2001 (último dia do ano fiscal 2000).
Obuchi se comprometeu também a levantar as restrições sobre os gastos públicos, que foram impostos por Hashimoto para restaurar as finanças do Estado.
No plano internacional, Obuchi prometeu continuar a elaboração de um tratado de paz com a Rússia para o ano 2000, um processo iniciado pelo chefe do governo demissionário. Os dois países não concluíram nenhum tratado de paz desde 1945 por causa do conflito territorial sobre as ilhas Kurilas, no sul.
Obuchi é criticado geralmente por sua falta de dinamismo, e os meios econômicos o preferem a Kajiyama. Segundo uma pesquisa do ‘‘Mainichi Shimbun’’, de 36 dirigentes de empresas, 19 declararam-se a favor de Kajiyama, e 3 por Obuchi.

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