Crise econômica de 98 apresentou a face mais cruel do capitalismo
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de agosto de 2001
Associated Press<BR>De Moscou 
Uns poucos banqueiros e empresários vinculados a funcionários do governo se tornaram fabulosamente ricos, compraram propriedades na Riviera francesa e depositaram fundos em contas fora do país.
Os ricos começaram a enviar seus filhos a escolas caras da Europa Ocidental, a abarrotar suas casas de cristais e prataria, contratar empregados e viajar com guarda-costas.
A nova classe começou a passar as férias no exterior, vestir roupas na última moda, reformar seus apartamentos. O país foi inundado por importações do Ocidente de roupa a televisores, automóveis, comida, telefones celulares, computadores, câmeras, produtos de beleza.
Mas poucos pagavam impostos, a corrupção tornou-se desenfreada e os investidores ocidentais voltaram as costas ao país.
Em pouco tempo, o Estado ficou sem fundos. Submarinos nucleares foram desativados porque o ministério da Defesa não podia pagar suas contas. Professores, médicos e soldados não recebiam salários e soldos. Os ferroviários bloqueavam os trens. Os encanamentos arrebentavam, as fábricas se oxidavam, o inverno matava. A Aids, a tuberculose e o consumo de drogas faziam estragos.
Em 1998, já havia ficado claro que a economia russa estava com os dias contados. A bolha arrebentou em agosto. A desvalorização do rublo deixou milhares em ruína. Bancos fecharam, empresas quebraram, a avaliação dos créditos para o país chegou ao subsolo. Foi aí que os russos penetraram no lado obscuro do capitalismo.


