ABC ColorO Partido Colorado convocou convenção extraordinária nesta semana, mas não conseguiu encontrar uma solução internaA história que resultou na crise vivida hoje pelo Paraguai teve início em abril de 1996, quando o general Lino Oviedo era comandante do Exército e homem de confiança do presidente Juan Carlos Wasmosy. Alegando o combate à ‘‘corrupção’’ em que estaria mergulhado o governo, Oviedo tentou um frustrado golpe militar. Wasmosy passou o general para a reserva.
Mesmo assim, Oviedo disputou e venceu as prévias do Partido Colorado, realizadas em 7 de setembro do ano passado. Derrotou o candidato do presidente, Carlos Facetti, e o presidente do partido, Luis María Arga¤a.
Após a vitória de Oviedo, Wasmosy se voltou contra ele. Mandou prendê-lo, acusando-o por crime contra a ordem e a segurança das Forças Armadas e insubordinação. Criou também um Tribunal Militar Extraordinário especialmente para julgar o general. A sentença deve sair nesta semana. Na semana passada, um promotor militar pediu uma pena de dez anos para o general.
O Partido Colorado realizou esta semana uma convenção extraordinária, mas não conseguiu articular uma solução interna. O prazo para o registro de candidaturas na Justiça Eleitoral se encerrou na quarta-feira. Oficialmente, Oviedo é o candidato do partido e deverá disputar a eleição com Domingo Laino, da Aliança Democrática, que reúne os partidos Liberal Radical Autêntico e Encontro Nacional.
Segundo as pesquisas, Oviedo tem uma vantagem de 10 pontos sobre o adversário. Mas analistas políticos avaliam que, pela primeira vez na história recente do país, a oposição tem chances reais de vitória. A principal dúvida em Assunção é se Oviedo for condenado e ganhar a eleição, quem vai governar? A Constituição paraguaia estabelece que, nesse caso, a vaga seria do vice-presidente eleito. O vice de Oviedo é Raúl Cubas Grau. (V.D.)

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