O presidente George W. Bush afirmou ontem que a cada dia que passa sem uma resolução, a crise criada pela detenção dos 24 tripulantes do avião de espionagem da marinha americana que pousou na China depois de colidir com um caça de intercepção chinês, no domingo retrasado, ‘‘aumenta o potencial para danos nas relações entre os dois países’’. O líder norte-americano emitiu alguns sinais de que a solução negociada que busca não é iminente. No que depender da direita americana, o estrago já está feito e trata-se agora de saber apenas como Bush lidará com as consequências da primeira derrota da política externa de seu governo.
O editorial principal do semanário conservador Weekly Standard, que chegou às bancas ontem, classificou o episódio de ‘‘uma profunda humilhação nacional que Bush causou para os Estados Unidos’’. Para os autores do texto, Robert Kagan e William Kristol, que foi alto funcionário da Casa Branca no governo de Bush-pai e é editor-chefe da revista, o líder americano teve uma reação inicial firme, insistindo no retorno da tripulação e da pronta devolução do avião. Mas depois passou a ouvir seu secretário de Estado, o ex-general Colin Powell e amoleceu. A decisão de Bush de lamentar a morte do piloto do jato chinês foi equiparada por Kagan e Kristol a ‘‘ajoelhar-se diante dos chineses’’.
No domingo, Powell e o vice-presidente Dick Cheney responderam com igual dureza ao Weekly Standard. Cheney disse que a razão por trás do virulento ataque de Kristol contra a administração ‘‘é que ele precisa vender mais revistas’’. Mas o editorial da Weekly Standard foi apenas o início da ofensiva. Ontem, Gary Bauer, um ex-aspirante à presidência e líder da organização American Values, que congrega parte da direita religiosa, enviou uma mensagem a mais de 40 mil militantes conservadores afirmando que ‘‘os Estados Unidos precisam parar de agir com impotência’’, não fazer mais nenhuma concessão.

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