Brasil, Equador, Panamá, Peru e Venezuela entram em alerta por causa da guerra envolvendo o exército colombiano, paramilitares e a guerrilha





France PresseEquador caça sequestradores



Pablo Rodríguez
De Bogotá



Brasil, Equador, Panamá, Peru e Venezuela, limítrofes com a Colômbia e inquietos com o recrudescimento da guerra interna em seu vizinho comum, reforçaram a segurança de suas fronteiras em prevenção de ações das guerrilhas esquerdistas e ante as ameaças dos paramilitares colombianos.
O Peru reforçou militarmente há alguns meses sua fronteira com a Colômbia, e foi imitado pelo Brasil, ainda que em menor escala, para se resguardar de ações da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC, marxistas).
A vigilância na fronteira na região aumentou depois das ameaças dirigidas no final da semana passada pelos paramilitares de ultra-direita contra o Panamá e Venezuela.
O Equador também foi obrigado a instalar mais tropas na faixa fronteiriça depois do sequestro sábado passado de doze estrangeiros por um grupo de homens que poderiam ser membros das FARC.
Ainda que os governos dos cinco países limítrofes tenham rejeitado publicamente uma eventual intervenção militar na Colômbia, não escondem sua inquietação pela repercussão do conflito armado colombiano na segurança regional.
A preocupação se tornou evidente por causa das conversações abertas em janeiro passado pelo presidente colombiano Andrés Pastrana com as FARC, com a intenção de levá-las a uma negociação de paz.
Esse crescente ambiente de inquietação obrigou Pastrana a desmentir insistentemente que seu país seria uma ameaça para a segurança de seus vizinhos, ao mesmo tempo que advertia que enquando fosse presidente da Colômbia não admitiria qualquer tipo de ingerência. Mas em julho passado o misterioso sequestro de um avião comercial da Venezuela com 14 passageiros que decolou de Barinas para a fronteiriça cidade de Guasdualito, disparou o alarma militar na fronteira venezuelana.
Uma semana depois do desaparecimento do avião, o aparelho e seus passageiros foram entregues às autoridades venezuelanas pelas FARC, que disseram que os encontraram casualmente em território colombiano próximo a Venezuela. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que falou de sua disposição de apoiar seu colega colombiano na busca da paz, minimizou o incidente, mas anunciou sua decisão de dialogar diretamente com as FARC.
A atitude de Chávez provocou tensão nas relações entre os dois países, até o começo deste mês de setembro, quando o chanceler Guillermo Fernández, Pastrana enviou o mandatário venezuelano uma carta pessoal fixando sua posição a respeito.
Mas neste final de semana, a preocupação pelo alastramento das ações guerrilheiras nas fronteiras – que poderiam ficar evidenciadas se fosse comprovada que as FARC sequestraram os 12 estrangeiros em território equatoriano –, se somou às ameaças do líder das forças paramilitares, Carlos Castaño, contra o Panamá e as críticas a Chávez.
‘‘Notificamos publicamente a chancelaria colombiana e a senhora Mireya Moscoso, presidenta do Panamá, que declaramos objetivo militar todos aqueles membros da Guarda Nacional desse país, que trabalham em aberta conivência com as FARC na zona de fronteira’’, anunciou Castaño.

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