Crise brasileira ajudou bastante atual presidente
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de março de 1999
Agência Estado 
A crise brasileira foi, de certa forma, um presente dos deuses para o presidente Menem. A economia argentina é altamente dependente da brasileira, e por esse motivo, analistas econômicos consideram que este ano será recessivo para o país. Quanto mais as perspectivas econômicas da Argentina aparecem negativas, mais Menem se afirma no poder.
As pesquisas indicam que a população o considera mais preparado para conduzir o país no meio da crise do que seus opositores. Enquanto que nos tempos tranquilos Menem dedica-se ao jogo de golfe e outras atividades light, as crises - principalmente as que têm origem no exterior, como a mexicana ou brasileira - fazem que Menem tire da cartola suas melhores frases e armações políticas. Simultaneamente, a oposição inibe-se com as crises, e desaparece da mídia.
Um dos mais importantes entrevistadores do país, Rosendo Fraga, considera que apesar do desgaste que implicam dez anos de poder, Menem continua ocupando o centro do palco político. Fraga sustenta que a economia será o eixo do debate político neste ano, ao contrário de 1997 e 1998, quando ainda era preponderante o debate sobre a ética política, a corrupção, temas que favoreciam a Aliança UCR-Frepaso.
A coalizão de oposição Aliança União Cívica Radical-Frepaso reage com lentidão à ofensiva pela segunda reeleição de Menem. Após um ano e meio na frente das pesquisas, começa a perder terreno para o peronismo. A oposição está perplexa, sem saber como reagir. Fernando De La Rúa, candidato da Aliança UCR-Frepaso, e prefeito de Buenos Aires, que estará terça-feira em Brasília para reunir-se com o presidente brasileiro, fez um pálido protesto de que a segunda reeleição violaria a Constituição. (AP)


