A morte do vice-presidente paraguaio Luis María Argaña teve um profundo impacto em Buenos Aires. Os canais de TV retransmitiram ao vivo os acontecimentos desde Assunção, a capital paraguaia.
Na Argentina existe grande interesse pelos acontecimentos no Paraguai: o país é um sócio do Mercosul, mas também aqui está instalada a maior comunidade paraguaia no exterior, com mais de 700 mil pessoas.
O principal ‘‘think tank’’ da Argentina, Rosendo Fraga, destacou à Agência Estado a importância do Paraguai. ‘‘Esse país é somente 2% do Mercosul em termos econômicos e populacionais. No entanto, é 25% em termos políticos, porque é um estado soberano como Brasil, Argentina e Uruguai.’’
Por esse motivo, afirma Fraga, ‘‘a instabilidade política que o Paraguai passa hoje projeta-se inevitavelmente sobre o resto dos países da região’’. Segundo ele, é difícil de prever a evolução da situação política do Paraguai no atual momento.
Fraga considera que os setores vinculados ao general Lino César Oviedo serão acusados de ter realizado o assassinato do vice-presidente Argaña, que vivia em permanente conflito com os partidários do ex-general golpista e o presidente Raúl Cubas Grau.
O analista argentino disse à AE que o Paraguai enfrentará um momento muito complexo, ‘‘mas, em minha opinião, Cubas Grau se manterá no poder e não haverá uma ruptura da precária ordem estabelecida’’. Fraga também explicou que a luta política não envolve a oposição. Segundo ele, ocorre dentro do Partido Colorado, que governa o Paraguai há mais de meio século.
Outro especialista argentino em geopolítica, Oscar Raúl Cardoso, disse à AE que ‘‘a morte de Argaña evidencia que é uma falácia a idéia de que toda a América Latina é democrática, com exceção de Cuba. Na verdade, o que subsistem são formas de autoritarismo, com um verniz de democracia’’.

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