GROZNY - Segundo fontes da Cruz Vermelha Internacional, os agressores ‘‘foram direto a seu objetivo e não roubaram nada’’, reforçando a idéia de que se tratou de um assassinato de cunho político.
O hospital onde ocorreu o ataque já atendeu mais de 1.500 pessoas desde que foi aberto em setembro pela filial norueguesa da Cruz Vermelha, que na ocasião anunciou que havia recebido garantias de segurança tanto de autoridades russas quanto chechenas.
‘‘O governo russo aprecia as atividades humanitárias da Cruz Vermelha e decisivamente condena este crime cruel e sem sentido’’, afirmou o primeiro-ministro Viktor Chernomyrdin, segundo a agência de notícias Interfax.
Moradores de Novye Atagi, que há muito suspeitam dos motivos da Rússia na região caucasiana, denunciaram os assassinatos.
‘‘Estamos tentando investigar o crime, mas estou convencido de que se trata de uma grande provocação contra a Chechênia, contra a paz na Chechênia’’, afirmou um oficial da polícia local. ‘‘Estamos certos de que a inteligência russa está envolvida’’.
‘‘Nenhuma pessoa sã poderia ter feito isso’’, acrescentou Ali Zabarayev, 45 anos. ‘‘Nós conhecíamos essas pessoas e elas trabalhavam em nossa vila, ninguém da gente poderia ter feito isso’’.
Dezenas de milhares de pessoas foram mortas na Chechênia desde que a Rússia enviou tropas para a região em dezembro de 1994 numa tentativa de esmagar um movimento separatista.
As forças russas têm agora pouco controle sobre o que ocorre na Chechênia, e o poder está nas mãos de um governo de ‘‘coalizão’’, liderado por separatistas, chefiado pelo ex-comandante militar rebelde Aslan Maskhadov.
Também ontem, o líder separatista radical Salman Raduyev, que desafia frontalmente os líderes do governo provisório checheno e sequestrou 21 policiais russos no sábado, anunciou que ninguém o forçará a libertar os reféns.

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