Crianças são vítimas das sanções
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quinta-feira, 27 de novembro de 1997
AE-Reuters Bagdá 
Iraquianos amaldiçoaram ontem o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, nos funerais de quatro crianças que, segundo o Iraque, morreram pela falta de remédios causada por sanções da ONU.
Meus irmãos, membros da Assembléia Nacional, essas crianças inocentes não teriam morrido se houvesse remédios suficientes, afirmou o presidente do parlamento, Saadoun Hummadi, cercado por congressistas e equipes de televisão e repórteres ocidentais levados para o hospital infantil de Bagdá pelo Ministério da Informação.
Parentes choravam quando os corpos das crianças eram envoltos em linho branco, enquanto a multidão culpava Clinton.
Que ele seja amaldiçoado. Ele é um homem desonesto, gritou uma mulher. Por que eles estão nos punindo? O que fizemos para merecer tal punição?, perguntava outra mulher.
Hummadi disse: Minha mensagem para todo o mundo é que eles (os americanos) deveriam tirar suas mãos do nosso país.
O Iraque está sob pesadas sanções das Nações Unidas impostas por sua invasão do Kuwait em 1990, entre elas a proibição de exportação de petróleo. Mas desde dezembro último, as Nações Unidas têm permitido que o Iraque venda o equivalente a US$ 2 bilhões em petróleo a cada seis meses para comprar comida e remédios.
Temos recebido menos do que 40% dos remédios que encomendamos durante os seis primeiros meses do acordo (petróleo por comida) com as Nações Unidas, afirmou o ministro da Saúde iraquiano, Umeed Madhat Mubarak, a repórteres.
Ele disse que mais de um milhão de iraquianos morreram como consequência da falta de remédios causada pelas sanções comerciais.
Mubarak afirmou que mais de 5.000 crianças com menos de cinco anos morrem mensalmente, comparadas com as 560 um mês antes da Guerra do Golfo de 1991.
Estamos vendo agora tantos novos casos de sérias doenças infecciosas que são causadas não apenas pela falta de equipamentos médicos e remédios mas também pelas condições sanitárias gerais, disse.
O ministro responsabilizou os Estados Unidos pela demora na chegada de remédios comprados sob o acordo com a ONU.


