Madri - Cerca de 50 crianças estão morrendo por dia na Argentina por causa da desnutrição, denunciou esta quarta-feira, em Madri, a Central de Trabalhadores Argentinos (CTA), que pediu à União Européia (UE) que ''assuma'' a parte da responsabilidade que lhe corresponde na ''desgraça argentina''.
Segundo Carlos Custer, responsável pelo departamento internacional da CTA, 2,5 milhões de crianças ''estão à beira da desnutrição'' em um paíse que, paradoxalmente, é o primeiro exportador mundial de alimentos per capita, na frente dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e União Européia (UE), com uma colheita de grãos que superou os 70 milhões de toneladas em 2001.
''A União Européia tem de assumir que também é parte responsável por nossa desgraça, pois destina 48% de seu orçamento à proteção de seus artigos agrícolas, que é o que os países do Terceiro Mundo e a Argentina mais podem vender na Europa'', explicou. Também fez forte críticas à Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) que o presidente George W. Bush quer impor à região.
O secretário de Finanças da Argentina, Guillermo Nielsen, afirmou ontem que o país ''entrará em colapso'' em maio, se não obtiver antes um acordo com o Fundo Monetário Internacional.
Ao estabelecer a ''data limite'', Nielsen tomou como base o fato de que, até o final de maio de 2003, o governo argentino terá que honrar compromissos que totalizam US$ 9,6 bilhões. Sem um acordo, em tese, teria que efetuar os pagamentos usando as reservas. E, justamente em maio, as reservas, hoje estimadas em US$ 9,4 bilhões, estariam zeradas.

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