Criança morre em atentado a ônibus em Bogotá
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sexta-feira, 07 de abril de 2006
Devaldo Gilini Júnior<br> Editor 
A população de Bogotá saiu às ruas ontem para repudiar a ação terrorista que matou uma criança e feriu 23 pessoas, sete delas menores, em ataques contra ônibus alimentadores da TransMilenio, na capital colombiana, que tem um sistema de transporte coletivo parecido com o de Curitiba. Um menino, com queimaduras em 50% do corpo, e outras cinco pessoas estão em estado grave. O governo ofereceu 100 milhões de pesos (aproximadamente R$ 100 mil) de recompensa por informação sobre os autores dos atentados ocorridos na quinta-feira.
Segundo o secretário de Sa© úde de Bogotá, Héctor Zambrano, o menino morreu ontem vítima das graves queimaduras sofridas no atentado. ''Lamentavelmente ele morreu. Apresentava um quadro médico complexo e foi submetido a várias cirurgias, mas faleceu nesta manhã (ontem)'', informou.
Informações no site do jornal ''El Tiempo'', mostram que a manifestação de repúdio começou às 6h30 de ontem e foi liderada pelo prefeito Luis Eduardo Garzón. ''O que passou é lamentável e doloroso. Mas a gente não se deve deixar amedrontar e tem que reagir'', disse o prefeito, anteontem à noite, depois de presidir um conselho extraordinário de segurança onde se decidiu converter a sexta-feira numa jornada de resistência cidadã contra quem pretende semear o terror.
Com o lema 'que circule la vida, no al terrorismo' (que circule a vida, não ao terrorismo), a prefeitura convocou os 7 milhões de bogotanos a manifestar-se contra os dois atentados. Garzón abriu a mobilização na estação San Victorino da TransMilenio, e depois fez um percurso por várias estações do sistema. Os ônibus levaram bandeiras brancas e grande parte dos passageiros usava lenços brancos em sinal de rejeição aos terroristas.
Atentados - Na quinta-feira, dois ônibus alimentadores do sistema TransMilenio foram alvo quase simultaneamente de atentados com bombas incendiárias. O primeiro ataque aconteceu às 15h13 no cruzamento da Rua 41 sul com 33, no bairro Inglês, sul de Bogotá. ''Depois do 'totazo' saí correndo, porque pensei que ia haver mais explosões. Vi vários meninos que saíram do ônibus chorando, caminhavam com seus corpos todos queimados. O ônibus ardia em chamas'', contou ao ''El Tiempo'' Alonso Carvajal, um mecânico que se encontrava trabalhando quando uma forte explosão rompeu os vidros de seu ateliê. Os vizinhos apagaram as chamas do ônibus com extintores.
Quatorze pessoas ficaram feridas neste ataque, das quais oito são menores, com idades que oscilam entre 9 e 17 anos. Segundo as autoridades, os feridos mais graves iam neste ônibus e são meninos pequenos: de 10, 11 e 12 anos. Um deles acabou morrendo ontem no hospital.
Dez minutos depois, às 15h23, outro ônibus alimentador da TransMilenio era vítima de uma bomba incendiária. Esta vez na Rua 72 com 91, no bairro Zarzamora, leste da cidade. Onze passageiros ficaram feridos.
Os organismos de segurança têm muito poucas dúvidas a respeito da autoria dos atentados de ontem, que atribuem a milícias urbanas das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc), que estariam interessadas em criar um clima tenso às eleições presidenciais do dia 28 de maio.
''Isto estava anunciado'', disse ao ''El Tiempo'' um oficial de inteligência da Polícia Metropolitana de Bogotá. Adicionando que os atentados poderiam intensificar-se, pois um dos objetivos das Farc seria utilizar o terrorismo para semear dúvidas sobre a efetividade da política de segurança democrática do presidente Álvaro Uribe, e minar assim sua credibilidade.
* O editor esteve em Bogotá de 1º a 3 de abril, a convite do Escritório Comercial da Colômbia em São Paulo (Proexport)


