Crescimento isolado é pouco para satisfazer América Latina
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Folhapress 
São Paulo- O crescimento econômico acelerado, sozinho, não é suficiente para tornar os latino-americanos e caribenhos satisfeitos com suas condições de vida, segundo novo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Há, no entanto, uma relação entre a satisfação e a renda per capita, ainda que não determinante. O estudo, intitulado Além dos fatos: compreendendo a qualidade de vida, foi realizado a partir de pesquisas feitas pelo instituto Gallup entre novembro de 2005 e dezembro de 2007 com 40 mil pessoas em 24 países da América Latina e Caribe.
As mais importantes conclusões a que chegou o relatório foram o paradoxo do crescimento econômico infeliz e o paradoxo da aspiração, disse o coordenador do estudo, o colombiano Eduardo Lora. Segundo ele, é um fenômeno conhecido em outras partes do mundo, mas não discutido na América Latina e no Caribe.
O primeiro paradoxo mostra que um crescimento econômico muito acelerado aumenta as expectativas da população por melhores condições de vida em um ritmo maior do que o das oportunidades reais para tanto. O sentimento está na origem dos índices relativamente baixos de satisfação na Argentina, no Chile e no Peru.
O segundo paradoxo, da aspiração, revela que os mais pobres e com níveis mais baixos de escolaridade avaliam melhor os serviços públicos de saúde e educação do que os ricos e mais escolarizados. Os chilenos, por exemplo, são os mais críticos em relação aos serviços de saúde, enquanto os hondurenhos são os menos críticos nesse quesito.
Há, no entanto, uma relação entre o PIB per capita (em poder de paridade de compra) e a satisfação da população, ainda que não de forma determinante. A Costa Rica, com cerca de US$ 9.000, lidera tanto o ranking da satisfação quanto o de um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) subjetivo, ou seja, baseado em percepções sobre renda, saúde e educação.
O Haiti, com menos de US$ 1.500, é o último nos dois itens. O Brasil (US$ 7.475) é o sétimo em satisfação.


