A campanha de ataques aéreos da Otan contra a Iugoslávia continuará, garantiram ontem representantes americanos, depois de três noites consecutivas de incursões no mais violento ataque contra Belgrado. Uma fábrica que continha reservas de combustível para mísseis foi atingida pelos ataques a Sremica.
‘‘Destruir um sistema de defesa antiaérea sofisticado (...) leva tempo e não é algo que podemos fazer em alguns dias’’, disse o porta-voz do Pentágono, David Bacon. O objetivo é ‘‘tentar fazer com que o céu seja tão seguro quanto possível para que nosos pilotos possam se concentrar na etapa seguinte’’, explicou.
Enquanto isso, em várias cidades européias, manifestantes saíram às ruas para repudiar os ataques da Otan.
A eficácia dos ataques é controvertida. Segundo o primeiro balanço fornecido pela ONU ontem, após as duas primeiras noites de operações, apenas um dos 40 alvos apontados - um sistema de mísseis de defesa antiaérea situado em Belgrado - foi destruído, outros dez foram ‘‘gravemente afetados’’ e sete foram danificados.
A interceptação e destruição, ontem, de dois Mig-29 iugoslavos que tentavam atacar as forças da Otan na Bósnia-Herzegovina preocupa os americanos, porque esta ação demonstra que as capacidades militares iugoslavas estão longe de terem sido destruídas.
Ainda pior: as forças sérvias acentuaram suas operações contra os separatistas do Exército de Libertação de Kosovo (UCK), chegando inclusive a penetrar no território da Albânia. Várias fontes informaram sequestros e assassinatos de civis kosovares.
Segundo depoimentos colhidos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), cerca de 20 aldeões foram executados na quinta-feira em Goden, sudoeste da província.
Foram anunciados assassinatos de personalidades e intelectuais kosovares. Nenhuma das informações foi confirmada por fontes independentes desde a partida dos membros da missão de verificação da OSCE e das organizações humanitárias e da expulsão dos jornalistas estrangeiros.
Manifestações contra os ataques da Otan à Iugoslávia foram realizadas ontem em várias cidades européias. Milhares de pessoas participaram de manifestações sem incidentes em Milão (norte da Itália), enquanto um grupo de 100 italianos se reunia em Roma para protestar contra os ataques da OTAN na Iugoslávia.
A manifestação de Milão convocada pela União de Estudantes reuniu 20 mil pessoas segundo os organizadores. Em Roma, a convocação foi feita pelo movimento de extrema esquerda Socialismo Revolucionário.
Em Berlim, confrontos com a polícia foram registrados durante o protesto. Mais de 20 mil pessoas, segundo o partido neocomunista PDS que convocou a manifestação, exigiram o fim dos ataques aliados. A concentração dos manifestantes ocorreu no centro da capital em Alexanderplatz.
O presidente do PDS, Lothar Bisky, qualificou de ‘‘criminosa’’ a evolução da situação nos Bálcãs e afirmou que ‘‘a autoridade da ONU foi esmagada pelas bombas’’.

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