Crescem na Argentina a violência e a miséria
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de setembro de 1998
France Press 
O presidente Carlos Menem negou no fim de semana passado que o crescimento da violência na Argentina esteja ligado ao custo social de seu plano econômico neoliberal. Entretanto, números do próprio Estado revelam uma crescente marginalização dos setores sociais mais desfavorecidos. Só no mercado de trabalho, desde o processo de reformas aberto pelo próprio Menem foram cancelados 550.000 postos de trabalho, segundo estudo do Ministério do Trabalho e Segurança Social. Dos 800.000 novos postos criados em 1997, 52% (414.784) correspondem a diversos planos de empregos precários estatais.
Já o Instituto Nacional de Estatísticas e Censo informou em relatório recente que a concentração de renda na Argentina continua em ascensão. Há apenas sete anos, uma pessoa pertencente à camada dos 10% mais ricos da população ganhava 15 vezes mais que outra pertencente a dos 10% mais pobres. Mas em maio passado essa mesma pessoa do primeiro grupo social já recebia 24 vezes mais. Atualmente, 40% das famílias da Capital Federal e da Grande Buenos Aires, 3,8 milhões de pessoas, vivem com menos de 650 pesos (igual a dólares) mensais, quando o custo da cesta básica por família é de 1.035 pesos.


