Crescem mortes por excesso de trabalho no Japão
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quinta-feira, 17 de maio de 2007
France Presse 
Tóquio-O número de mortes ligadas ao excesso de trabalho no Japão aumentou entre 2006 e 2007, apesar de uma campanha governamental que tenta limitar as horas extras, prática muito utilizada nas empresas nipônicas.
De março de 2006 a março de 2007, 355 empregados ficaram gravemente doentes ou morreram vítimas da sobrecarga de trabalho, o que representa uma alta de 7,6% com relação ao ano anterior, afirmou, nesta quinta-feira, o ministério japonês de Saúde.
Desses 355, 147 funcionários morreram de derrames cerebrais ou de problemas cardíacos.
As mortes ligadas ao excesso de trabalho - ''karoshi'', em japonês - se tornaram um verdadeiro problema social durante o crescimento econômico do Japão.
A pressão é ainda maior sobre os jovens que conseguem empregos temporários, cada vez mais numerosos no país, ressalta Mikio Mizuno, advogado especializado em casos de ''karoshi''.
''Os jovens de 20 a 30 anos, que ainda são fortes, tem a tendência de tentar extrapolar os seus limites e passam a sofrer de arritmia cardíaca que pode levar à morte. O excesso de trabalho é a única razão que explica isso'', garante.
As autoridades tentaram lutar contra esse fenômeno encorajando os empregados a tirarem férias para se dedicarem às famílias ou ainda incentivando o ''teletrabalho'', ou seja, o trabalho a distância possibilitado pelos meios tecnológicos.
''O ambiente profissional fica difícil para os empregados'', reconheceu Takashi Amano, um alto funcionário do ministério do Trabalho.
Entre os 819 empregados que foram vítimas de problemas cerebrais devido à sobrecarga de trabalho no ano passado, 205 receberam indenização, de acordo com o comunicado do ministério.
Os problemas mentais acabaram levando a 176 casos de suicídio ou tentativas de suicídio, detalhou o ministério.
''Em muitos casos, os trabalhadores são de tal maneira exigidos e precisam de um pouco de ajuda pela pressão mental fenomenal de que sofrem'', afirmou Mikio Amano.
Mais de 30 mil pessoas morrem por ano no Japão, que detém uma das maiores taxas de suicídio entre os países industrializados.


