Cresce total de vítimas das enchentes
Das agências
De Johannesburgo
Subiu para 335 o número de mortos pelas enchentes este mês no Sul da África, depois que uma nova cheia no Rio Limpopo atingiu a província moçambicana de Gaza, ontem, causando mais mortes e devastação na pior enchente dos últimos 50 anos na região, informam as Defesas Civis de Moçambique, África do Sul, Zimbabwe e Botswana. Nos últimos dias as tempestades pioraram com a passagem do ciclone Eline. Milhares estão desabrigados, correm riscos de doenças graves e precisam de ajuda em medicamentos, roupas e víveres.
Os helicópteros tiveram que abandonar as operações de fornecimento e abastecimento de aldeias de desabrigados para resgatar pessoas presas em telhados de casas e pontos altos, onde tentavam escapar da água.
A situação na capital de Gaza, Xai-Xai, é crítica, disse o governador Eugenio Numaio em transmissão radiofônica.
Se tivéssemos mais helicópteros conseguiríamos salvar mais gente, o número de mortos vai subir, não temos como resgatar todos, disse a porta-voz do Programa de Alimentos da ONU, Michele Quintaglie para a rádio sul-africana, African Broadcasting Corporation (SABC) de Moçambique.
Moçambique é o país onde há mais mortes confirmadas, 164. O país faz um apelo por uma verba internacional de 65 milhões de dólares a fim de reconstruir lares para 800 mil desabrigados das enchentes.
No Zimbabwe, o número de mortos chega a 62. Na sexta-feira 30 pessoas morreram num ônibus que foi colhido na tempestade e caiu em um rio quando cruzava uma ponte perto de Nyamapanda na fronteira com Moçambique.
Outros 20 passageiros ainda estão desaparecidos. Ao todo, 250 mil pessoas estão desabrigadas no país, exarcebando a pior crise econômica local em 20 anos.
Plantações foram varridas, muitos estoque de grãos e alimentos inutilizados. As estradas ruíram. Pontes e represas não aguentaram o volume da água. Os esforços do governo são poucos e inadequados.
A polícia na província Norte da África do Sul disse que o número de mortos também subiu na região, foram mais 27 de quarta-feira até domingo.
A Defesa Civil e as forças armadas socorrem os desabrigados e levam víveres para os locais isolados pela água, em helicóptero, disse o porta-voz da polícia Ronel Otto. A província perdeu 55 pessoas nas chuvas torrenciais no começo deste mês.
O presidente de Botswana, Festus Mogae apelou por ajuda internacional ontem depois de visitar no sábado as áreas devastadas pelo ciclone. Mogae disse que dez mil casas foram destruídas e que pelo menos 11 pessoas morreram em fevereiro no país em acidentes causados pelas chuvas.
AjudaOs transportes aéreos de emergência com suprimentos para milhares de desabrigados pelas enchentes em Moçambique tiveram de ser suspensos ontem, depois que novas inundações forçaram as tripulações de helicópteros a iniciar missões de procura e resgate. Helicópteros militares da vizinha África do Sul haviam sido solicitados para o serviço de resgate e representam a única esperança para milhares de pessoas cercadas pelas águas, que não param de subir no distrito de Chokwe ao norte da capital, Maputo. Os cinco helicópteros estão sobrevoando o país diariamente há três semanas a fim de ajudar Moçambique a superar a maior enchente em 30 anos.
A porta-voz do Programa de Alimentação das Nações Unidas, Michele Quintaglie, disse que a ajuda começou a ser pedida de madrugada quando o Rio Limpopo começou a aumentar seu nível mais rápido do que o esperado.
A situação é crítica, as pessoas estão desesperadas por ajuda, disse a porta-voz. Não podemos nos preocupar com o alimento porque os helicópteros estarão se dedicando a operações de busca e de regaste.
Três semanas de chuvas inundaram o sul da África e maiores tragédias humanas ainda estão por vir.





