Associated Press
De Havana
Um novo episódio com ‘‘balseiros’’ cubanos ampliou ontem a tensão nas já complicadas relações entre Cuba e EUA. Em meio as mais intensas manifestações antiamericanas dos últimos anos na ilha, causadas pela retenção do garoto cubano Elián González – cuja mãe morreu num naufrágio no Estreito da Flórida quando tentava chegar aos EUA –, autoridades americanas interceptaram na segunda-feira um barco da empresa de turismo de Cuba sequestrado por seis cubanos.
Momentos depois de a Guarda Costeira americana ter confirmado a detenção do barco, o governo cubano passou a exigir, além da devolução de Elián, a repatriação dos sequestradores e da embarcação.
Segundo versão da Guarda de Fronteiras cubana, o barco Albacora estava atracado num porto ao norte de Havana, quando foi abordada pelos sequestradores armados que obrigaram dois tripulantes que estavam a bordo a levá-los até a Flórida. O barco foi interceptado pelas autoridades americanas a 18 quilômetros de Key West.
‘‘A Guarda Costeira americana não pode ainda confirmar a versão de que o barco interceptado tivesse sido sequestrado’’, disse o porta-voz do órgão, Gibran Soto.
Acordos sobre migração firmados entre americanos e cubanos estabelecem que balseiros interceptados no Estreito da Flórida devem ser repatriados a Cuba.
Fidel Castro lançou dúvidas sobre se os EUA cumprirão os acordos. ‘‘Que farão com esses sequestradores? Vão deixá-los impunes?’’, disse.
Na véspera, Fidel visitara a cidade de Cárdenas, onde vive a família de Elián. O pai do garoto, Juan Miguel González, afirmou a ele que conversou por telefone com Elián. ‘‘Ele disse que tem saudades e quer voltar’’, declarou.
Elián completou 6 anos na segunda-feira. O garoto foi entregue a tios-avós que vivem em Miami e foi convertido por grupos anticastristas da Flórida em símbolo do exílio cubano.

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