Bogotá - A Colômbia acusou o Equador e a Venezuela nesta segunda-feira de apoiarem a guerrilha das Farc, enquanto Quito rompia suas relações diplomáticas com Bogotá, em resposta à incursão militar colombiana no Equador, durante a qual morreu o número dois do movimento guerrilheiro, Raúl Reyes.
O governo equatoriano enviou ontem carta a Bogotá na qual informa o ''rompimento das relações diplomáticas'' com a Colômbia, ''diante de uma sucessão de fatos inamistosos e de acordo com o estabelecido pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas em 1961.
A decisão foi tomada após Bogotá informar que ''as revelações sobre acordos entre o grupo terrorista das Farc e os governos de Equador e Venezuela serão transmitidas à OEA'', a Organização dos Estados Americanos, e às Nações Unidas.
Segundo Bogotá, a existência desses acordos é comprovada por documentos e fotografias encontradas no acampamento onde Raúl Reyes morreu no sábado, em pleno território equatoriano, a 1,8 km da fronteira com a Colômbia.
O ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos, afirmou que seu país não responderá, por enquanto, à escalada militar na fronteira, e qualificou de ''preocupante'' as informações encontradas nos computadores apreendidos durante a operação militar.
Manuel Santos mencionou especificamente contatos entre Reyes e o ministro equatoriano Gustavo Larrea, que comprovam ''uma conivência, um tipo de associação entre a guerrilha e o governo do Equador''.
Seu colega equatoriano, Wellington Sandoval, qualificou de absurda a denúncia de Santos. ''Não tivemos, não temos e não teremos nenhum tipo de vínculo com as Farc'', afirmou o ministro ao final de uma reunião do Conselho de Segurança Nacional (Cosena) convocada pelo presidente Rafael Correa em Quito.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ''moderação'' aos países envolvidos. ''O secretário-geral está preocupado com o aummento das tensões e a acalorada retórica surgida no final de semana entre Colômbia e seus vizinhos, Equador e Venezuela'', disse sua porta-voz Michele Montas.
Ban ''conclama os três países a resolverem suas preocupações comuns no espírito de diálogo e cooperação que caracteriza tradicionalmente suas relações'', acrescentou.
Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidência para os assuntos internacionais, declarou que ''as diplomacias do Brasil e de outras capitais sul-americanas estão mobilizando suas forças para reduzir ao máximo a tensão''.
A Argentina lamentou ''a evidente violação da soberania'' equatoriana, e a presidente chilena, Michelle Bachelet, considerou que ''a Colômbia deve uma explicação ao Equador e a todos os países da América Latina.
O ex-presidente cubano Fidel Castro culpou os Estados Unidos pelo fato de que se escutam ''com força'' as trombetas da guerra'' na Colômbia, na Venezuela e no Equador.
O general Naranjo também revelou que a operação para matar Raúl Reyes foi possível graças a informações de inteligência transmitidas pelos Estados Unidos.
Reyes era o braço direito de Manuel Marulanda, o líder das Farc, e o porta-voz do movimento guerrilheiro.
Apesar da tensão, os três pontos de passagem na fronteira entre Colômbia e Venezuela mantinham sua atividade normal nesta segunda-feira.
Em Genebra, durante uma sessão do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, o vice-presidente colombiano, Francisco Santos, pediu a seus vizinhos que cumpram a resolução 1373 do Conselho de Segurança, que proíbe os países de ''dar refúgio a pessoas que financiam, planejam ou cometem ações terroristas''. (France Presse)

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