A colisão no domingo entre um avião espião americano e um caça chinês gerou um nova grande crise nas relações entre a China e os Estados Unidos, que pode se agravar se Pequim não devolver o aparelho e a tripulação, avaliam os especialistas. ‘‘Tudo depende do que farão as autoridades chinesas nos próximos dias em relação à devolução do avião e de sua tripulação’’, comentou ontem um diplomata ocidental. Na sua opinião, se a China se negar a fazê-lo, o governo americano será muito pressionado internamente para atuar de forma decisiva contra Pequim.
Durante o dia de ontem, Pequim e Washington trocaram acusações sobre a colisão. Pequim afirma que o avião EP-3 Aries, um dos mais sofisticados da marinha americana em matéria de vigilância eletrônica, investiu e provocou a queda de um dos seus caças F-8. Isto é negado por Washington, que garante que foi o avião chinês que agiu de forma irregular.
Danificado durante a colisão, o avião americano teve que fazer um pouso de emergência com seus 24 tripulantes num aeroporto da ilha chinesa de Hainan. Washington, que enviou imediatamente ao local autoridades militares, reclamou a devolução do aparelho e da tripulação o mais rapidamente possível. Enquanto isso, Pequim manteve a discrição, limitando-se a declarar que a tripulação estava sendo tratada de maneira apropriada, num comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
Segundo um especialista chinês em relações sino-americanas, cujo ponto de vista geralmente se aproxima com o do governo chinês, os tripulantes deveriam ser libertados logo e Pequim pretenderia manter o aparelho em seu poder.
‘‘Os Estados Unidos não têm direito de dizer o que deve ser feito com o avião. Este se encontra em território chinês e a China pode fazer o que quiser no seu território’’, afirmou Yan Xuetong, diretor do instituto de relações internacionais da famosa universidade Qinghua de Pequim.
O incidente acontece em um clima geral de tensão entre Pequim e Washington, alimentado pela posse em janeiro do novo presidente americano George W. Bush que prometeu uma política mais dura em relação à China.
Até o final do mês, Bush deve se pronunciar sobre a venda de quatro modernos contratorpedeiros a Taiwan, que poderiam deixar obsoleto o sistema de mísseis chineses que ameaça a ilha nacionalista.

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