Gaza - A onda de protestos no mundo árabe contra a publicação de caricaturas de Maomé se acentuou ontem com ameaças feitas contra franceses, noruegueses e dinamarqueses e o fechamento por tempo indeterminado da sede da União Européia em Gaza.
O ódio manifestado até então por comunicados de denúncias e uma campanha popular de boicote dos produtos dinamarqueses acirrou-se quando dezenas de homens armados do Fatah e da Jihad islâmica cercaram a sede da União Européia e ordenaram o fechamento do prédio ''até uma nova ordem''.
''Proclamamos a sede da UE (em Gaza) fechada até uma nova ordem e daremos aos governos dinamarquês, francês e norueguês 48 horas para pedirem desculpas'', afirmaram os homens armados em um folheto distribuído diante do prédio fechado.
Também pediram ''aos cidadãos franceses que saíssem da Faixa de Gaza'' e ameaçaram ''bombardear a sede da UE, outros escritórios europeus e as igrejas'' se as ''provocações'' contra o islã continuarem.
Já a rede britânica BBC acompanhou a imprensa européia e divulgou ontem as caricaturas do profeta Maomé que vêm motivando uma forte polêmica. A divulgação das caricaturas do profeta no noticiário exibido pela BB1 visa ajudar o público a entender a ''grande emoção'' provocada por esta história, afirmou o canal britânico.
Vários jornais europeus haviam decidido reproduzir as polêmicas charges publicadas no jornal dinamarquês Jyllands-Posten, desatando protestos no mundo islâmico e uma crise diplomática.
Os jornais europeus decidiram demonstrar, assim, solidariedade para com seus colegas dinamarqueses, que sofreram ameaças de bomba, e reafirmar o direito à liberdade de expressão.
Dois grupos armados palestinos haviam ameaçado mais cedo ''considerar como alvo'' qualquer francês, norueguês ou dinamarquês na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
Em Teerã, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Áustria, que preside a União Européia, para protestar contra a publicação das charges em diversos países da UE.
O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, conversou por telefone com o rei Abdullah da Arábia Saudita para insistir sobre a necessidade de reagir com vigor contra os que insultam o profeta.
Em Amã, um editorial do jornal jordaniano al-Rai, próximo ao poder, denunciou aqueles que ''sob o pretexto da liberdade de expressão, deixam de lado os crimes cometidos em nome da religião cristã, e em nome do judaísmo se curvam diante da chantagem israelense (...) que proíbe qualquer discussão sobre o holocausto''.
A imprensa egípcia também criticou os jornais europeus. ''A comunidade internacional deve entender que qualquer ataque contra o nosso profeta não ficará impune'', advertiu Samir Ragab, redator-chefe do jornal governamental al-Gomhuriya, afirmando que se trata de um ''complô contra o islã e os muçulmanos''.
Nos Emirados Árabes, o jornal al-Bayan julga ''as explicações dinamarquesas insuficientes''. No Qatar, o jornal As-Sharq dedicou quatro páginas à cobertura local e estrangeira do tema, publicando as reações de indignação de intelectuais.
Com o título ''Muçulmanos do mundo, sejam razoáveis'', o redator-chefe, Jihad Momani, assina um editorial no qual indaga: ''O que traz mais prejuízo ao islã, as charges ou as imagens de um sequestrador que degola sua vítima diante das câmeras, ou ainda de um terrorista suicida que se faz explodir em meio a um casamento em Amã?''.

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