São Paulo - Após a condenação unânime ao teste nuclear realizado no domingo pela Coréia do Norte, representantes japoneses aumentaram a pressão pela imposição de mais sanções contra o país, levantando a possibilidade de uma ação militar - amplamente rejeitada pela China.
Em Tóquio, o ministro japonês das Finanças, Koji Omi, afirmou que seu país considera impor mais sanções financeiras contra a Coréia do Norte, enquanto outros membros do gabinete disseram que o governo japonês deseja impor um embargo financeiro.
Segundo o porta-voz de governo, Yasuhisa Shiozaki, o governo considera ''todas as possibilidades''. No entanto, autoridades da China e da Coréia do Sul se opõem ao uso de força. Um porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Liu Jianchao, disse durante reunião ontem que uma ação militar contra a Coréia do Norte seria ''inimaginável''.
O presidente americano, George W.Bush, disse que o governo norte-coreano ''desafiou a comunidade internacional'', e prometeu uma resposta. ''Mais uma vez, a Coréia do Norte desafiou a comunidade internacional, que irá responder'', disse o líder americano.
Outros líderes mundiais concordam com Bush a respeito de uma resposta imediata ao líder norte-coreano, Kim Jong II.
Bush chamou líderes da Coréia do Sul, Rússia, Japão e China para reafirmarem o compromisso com uma península coreana livre de armas nucleares. Na ONU, os EUA propuseram sanções duras, como a proibição do comércio de artigos militares e de luxo, o poder de inspeção de mercadorias importadas ou exportadas do país e o congelamento de bens ligados às armas.
O embaixador americano, John Bolton, agendou uma reunião com o Conselho de Segurança da ONU, qualificando o impasse de um conflito ''entre a Coréia do Norte e o resto do mundo''. ''Acredito que a Coréia do Norte possui uma história de sucesso em intimidar outros países'', disse Bolton. ''Eles não terão sucesso conosco'', acrescentou.
A China defendeu ontem que algumas ''ações punitivas'' sejam impostas à Coréia do Norte e que o CS dê uma resposta ''firme mas prudente'' ao país.
A Coréia do Norte vem sendo um problema de segurança para os EUA há vários governos. Em 2002, a administração de Bush acusou o país de desobedecer um acordo de suspensão das atividades nucleares por meio de um programa de enriquecimento de urânio.
O acordo se tornou inoperante e, nos meses seguintes, a Coréia do Norte se retirou do TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear), e deu fim à suspensão de suas atividades.
Em 2003, os Estados Unidos se uniram à China, à Coréia do Sul, ao Japão e à Rússia em um esforço para negociar o fim do programa nuclear norte-coreano em troca de vantagens econômicas. Desde novembro de 2005, as negociações estão paradas porque Pyongyang acusa a política americana de ''hostil''.
Ontem, uma reportagem do jornal americano ''The New York Times'' afirmou que a explosão da bomba norte-coreana pode ter sido pequena, e obtido sucesso parcial.
Segundo o ''Times'', as explosões que visam a ter poder de destruição nuclear têm entre 10 mil e 60 mil toneladas - 10 a 60 quilotons - de explosivos TNT.

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