Cresce pressão pela saída de americanos do Oriente
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de agosto de 2000
France Presse De Hong Kong 
A presença militar dos Estados Unidos no Extremo Oriente é cada vez mais questionada na Coréia do Sul e Japão, por causa de crimes comuns, mas também por razões políticas. Vários escândalos, ocorridos recentemente na Coréia do Sul e no Japão, prejudicaram a reputação do exército dos Estados Unidos na região, o que animou seus tradicionais adversários a exigir sua saída.
Anteontem, um fuzileiro norte-americano de 19 anos, Kenny Titcomb, foi formalmente acusado no Japão de assédio sexual e agressão a uma adolescente de 14 anos na ilha de Okinawa, no Sul do arquipélago, no início de Julho.
O sentimento antiamericano, muito forte em Okinawa desde a ocupação da ilha por tropas norte-americanas até 1972, cresceu muito em 1995, após o sequestro e estupro de uma menina de 12 anos por três fuzileiros. Na época, os protestos foram tantos que os EUA tiveram que firmar um acordo com o Japão, devolvendo parte do território ocupado pelas bases. Dos 47 mil soldados norte-americanos presentes no Japão, 25 mil se encontram em Okinawa, em bases que ocupam 20% do território.
Na Coréia do Sul, mais problemas. Representantes norte-americanos e sul-coreanos negociaram na quinta-feira, sem resultados, a revisão de um acordo militar. O momento político é desfavorável, com a volta do sentimento antiamericano causado por um incidente: o exército dos EUA tiveram que se desculpar publicamente, depois de despejar rejeitos tóxicos justamente no rio que abastece a capital Seul de água potável.
A revolta contra os 37 mil soldados dos EUA estacionados na Coréia do Sul em meio século resultou em violentos ataques, entre eles um que matou um comandante dos EUA num centro comercial de Seul.
Num momento em que as duas Coréias tentam a reaproximação, o ressentimento ganha forte conotação política. Quando o assunto é uma possível reunificação das duas nações-irmãs, várias lideranças aproveitam para questionar a presença norte-americana, que veria anulado o seu principal argumento para a manutenção das bases na região: a proteção contra um eventual ataque da Coréia do Norte.


