Cresce pressão para que Síria se retire do Líbano
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quinta-feira, 03 de março de 2005
Rouba Kabbara<br> France Presse 
Beirute - A oposição aceitou participar de consultas para a formação do próximo governo no Líbano, mas propõe condições radicais para um poder bastante isolado, no momento em que a Síria prosseguia ontem as negociações com seus principais aliados árabes depois de ser novamente pressionada pelos Estados Unidos para retirar suas tropas do território libanês.
Diante da nova pressão do presidente americano George W. Bush, o sírio Bashar al-Assad participou ontem de uma série de reuniões com os dirigentes árabes, após se encontrar na véspera em Damasco com o emir do Qatar para encontrar uma saída honrosa para retirar as suas tropas do Líbano. No Cairo, vários ministros árabes das Relações Exteriores pediram, sem especificar a maneira, a participação da ONU na futura retirada síria.
Antiga aliada estratégica da Síria, a Rússia seguiu a crescente pressão internacional e afirmou que Damasco deveria retirar suas tropas ''prudentemente'' do Líbano. Três dias depois da renúncia do primeiro-ministro libanês Omar Karami, o presidente Emil Lahud, cujo mandato foi prorrogado por três anos em setembro passado a pedido de Damasco, não havia anunciado ainda a data para a escolha de um futuro nome para o cargo.
Caso não seja anunciada nestes dias uma decisão sobre a escolha do futuro premier, ela poderá ser feita na próxima semana, disse uma fonte próxima ao poder. Cerca de 70 personalidades da oposição condicionaram nesta quarta-feira sua participação nas consultas ao anúncio solene e público do presidente Assai de seu compromisso com a retirar as tropas e os serviços secretos sírios do Líbano.
A oposição exige também a saída ''imediata'' do procurador da República, Adnane Adum, e dos chefes de seis serviços de segurança, cujos nomes e funções não foram revelados. Um aliado de Damasco julgou ''positiva'' a atitude da oposição. ''Apesar de tudo que foi publicado, vemos nesta atitude uma disposição a participar nas consultas e no diálogo'', disse Ali Hasan Khalil, deputado do movimento xiita Amal.
Já vários jornais libaneses declararam que estão céticos em relação à abertura de um diálogo entre a oposição e o poder. ''A jornada da quarta-feira teve seus resultados positivos na forma, mas não no conteúdo'', avaliou o jornal 'As Safir'. ''Na forma, a oposição fez concessões: reconhecimento da legitimidade do chefe de Estado e o estabelecimento de um diálogo com ele, já que ela (a oposição) informou que está preparada a participar nas consultas por intermédio de uma delegação limitada'', informa o jornal.
Mas em relação ao conteúdo, ''a oposição apresentou uma série de condições proibitivas que serão seguramente recusadas por um poder isolado e em crise'', acrescenta o 'As Safir'. Por outro lado, o jornal independente 'An Nahar' revelou que ''as consequências econômicas, financeiras e políticas das crises surgem com força, apenas três dias'' depois da renúncia de Karami.
Paralelamente, os soldados sírios continuavam no alto de uma montanha perto de Beirute, reforçando na quarta-feira suas posições em uma área que as tropas sírias deveriam ter abandonado em 1992.


