Cresce pressão para que Annan deixe a ONU
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segunda-feira, 06 de dezembro de 2004
France Presse 
Nova York, EUA - As Nações Unidas começaram a definir uma série de reformas internas, mas a atenção durante toda a semana esteve centrada no futuro do secretário-geral da organização, Kofi Annan, e nos pedidos para que este renuncie. Annan está sob uma crescente pressão a respeito da supervisão que o organismo internacional realizou sobre as vendas de petróleo iraquiano durante o regime de Saddam Hussein, em particular sobre a denúncia de pagamentos a seu filho Kojo.
Vários governos do mundo saíram em defesa de Annan, com a destacada ausência dos Estados Unidos, país que entra com 22% do orçamento das Nações Unidas e uma porcentagem maior a dos custos das missões de paz em todo o mundo.
O presidente americano, George W. Bush, não deu um voto de confiança a Annan e, em seu lugar, pediu uma investigação ''exaustiva, justa e transparente'' sobre o controvertido programa Petróleo por Alimentos criado pela ONU para ajudar a população iraquiana em meio ao embargo internacional, mas que possivelmente sofreu desvio de recursos para outros fins. ''Para que o contribuinte americano se sinta bem apoiando às Nações Unidas, é necessário haver prestação abertas de contas'', destacou Bush.
O senador americano Norm Coleman, que encabeça uma comissão investigadora parlamentar a respeito, pediu a renúncia de Annan e disse ter provas de que Benon Sevan, o funcionário da ONU que encabeça o programa da entidade para o Iraque, havia recebido pagamentos do Governo de Saddam Hussein. Não existe indício algum de que Annan tenha tirado alguma parte do programa, mas o chefe da ONU admitiu que existia um ''problema de percepção'', depois da notícia de que seu filho Kojo seguiu recebendo pagamentos até fevereiro de uma companhia suíça que trabalhava no programa. O porta-voz de Annan, Fred Eckhard, minimizou os pedidos de renúncia do secretário-geral, ressaltando que nenhum dos 191 países-membros do organismo havia solicitado formalmente a sua demissão.
O jornal americano New York Daily News não questionou somente Annan, mas inclusive o plano de reforma da ONU que busca revitalizar o organismo e adaptá-lo ao novo cenário internacional.
Annan pediu a assessoria de um painel internacional para reforma a ONU depois das profundas divisões que precederam a invasão americana ao Iraque, que a entidade qualificou de ilegal.
O plano de transformação da ONU incluiu mais de 100 recomendações para reorganizar as Nações Unidas, incluindo uma ampliação do Conselho de Segurança.


