Cresce oposição a ataque ao Iraque
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segunda-feira, 30 de setembro de 2002
Fuad Abdel Rahim<BR>Agência EFE 
CairoOs líderes do Egito, Hosni Mubarak, e da Síria, Bachar El Assad, pediram ontem que a comunidade internacional adote uma ''posição firme'' contra um possível ataque dos EUA ao Iraque, para que sejam evitadas ''as trágicas repercussões'' que uma guerra traria para a região. Mubarak, pró-ocidental e próximo aliado dos EUA, e Assad, um dos mais críticos em relação à política de Washington na região, exigiram, ao mesmo tempo, que a ONU determine que Israel cumpra suas obrigações, assim como faz no caso do Iraque.
A crise iraquiana e a situação nos territórios palestinos ocupados centraram a reunião que os dois líderes tiveram ontem, no Cairo, dentro do que ambos qualificaram, em um comunicado conjunto, como uma tentativa de ''unificar as posições árabes em relação aos assuntos de interesse comum''.
''Os dois líderes concordam sobre a necessidade de não economizar esforços para encontrar uma saída pacífica à crise iraquiana'', com o objetivo de ''não expor os povos da região aos dramas que pode acarretar uma nova guerra'' na região, diz a carta, lida depois da reunião pelo ministro de Informação egípcio, Safuat al Sherif.
''O Conselho de Segurança da ONU é o responsável pela paz e estabilidade mundiais, e por isso deve utilizar todos os meios para evitar um ataque ao Iraque'', acrescentou.
Embora o Egito, a Arábia Saudita e a Jordânia tenham advertido sobre as ''catastróficas consequências'', os três países expressaram sua disposição em colaborar com uma ação contra o Iraque caso isso seja decidido pela ONU.
A Síria, que faz parte da lista dos EUA de países patrocinadores do terrorismo, expressou sua firme e total oposição a um ataque.
Posição francesaAs autoridades francesas se recusam a ''assinar um cheque em branco para uma operação militar'' contra o Iraque, como propõe um projeto de resolução norte-americano, que prevê um recurso automático à força, declarou o ministro francês de Relações Exteriores, Dominique de Villepin, em uma entrevista publicada ontem no jornal francês Le Monde.
'Não queremos assinar um cheque em branco para uma operação militar, porque queremos assumir nossa responsabilidade até o final. Por isso, não podemos aceitar uma resolução que autorize a partir de agora o recurso à força, sem o aval do Conselho de Segurança da ONU'', afirmou o chanceler.
Apelo de PutinO presidente russo Vladimir Putin reiterou ontem que é favorável a ''um retorno rápido dos inspetores da ONU'' ao Iraque, ao receber o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, no Kremlin. ''Consideramos que o mais importante é um retorno rápido dos inspetores internacionais ao Iraque'', declarou o presidente russo, enquanto Washington força a aprovação de uma resolução forte em torno do Iraque, que preveja um recurso automático à força se o país não cumprir seus compromissos.
Putin acrescentou que é também muito importante conseguir uma solução política definitiva no âmbito do Conselho de Segurança da ONU''.


